Catequistas de Conquista

quarta-feira, 28 de junho de 2017

10 CONSELHOS DO PAPA FRANCISCO AOS JOVENS



Garimpamos, nos discursos do Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, dicas importantes para vivermos bem a juventude em nossos dias, assim como os desafios reservados para a nossa geração na construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário. Os temas não possuem importância hierárquica, trata-se apenas de tópicos que nos ajudam a entender melhor a mensagem de nosso querido Pontífice aos jovens de todo o mundo.

1) Ter um coração jovem sempre: “Vós tendes uma parte importante na festa da fé! Vós nos trazeis a alegria da fé e nos dizeis que devemos vivê-la com um coração jovem sempre: um coração jovem, mesmo aos setenta, oitenta anos! Coração jovem! Com Cristo o coração não envelhece nunca!”(Homilia de Domingo de Ramos 24/03/2013 – Dia da Juventude)

2) Ir contra a corrente: “Sim, jovens, ouvistes bem: ir contra a corrente. Isso fortalece o coração, já que “ir contra a corrente” requer coragem, e o Senhor nos dá essa coragem. Não há dificuldades, tribulações, incompreensões que possam nos meter medo se permanecermos unidos a Deus como os ramos estão unidos à videira, se não perdermos a amizade d’Ele, se lhe dermos cada vez mais espaço na nossa vida”. (Santa Missa dos crismandos em Roma – 28 de abril de 2013)


3) Apostar em grandes ideais: “Não enterrem os talentos! Apostem em grandes ideais, aqueles que alargam o coração, aqueles ideais de serviço que tornam fecundos os seus talentos. A vida não é dada para que a conservemos para nós mesmos, mas para que a doemos. Queridos jovens, tenham uma grande alma! Não tenham medo de sonhar com coisas grandes!” (Catequese do dia 24/04/2013).

4) Estar com Deus em silêncio: “Aprendam a permanecer em silêncio diante d’Ele, a ler e meditar a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a dialogar com Ele, todos os dias, para sentir a Sua presença de amizade e de amor”. (Mensagem aos jovens reunidos para a “Sexta Jornada dos Jovens” da Lituânia 28-30 de junho)


5) Rezar o Rosário: “Gostaria de destacar a beleza de uma oração contemplativa simples, acessível a todos, grandes e pequenos, cultos e pouco instruídos: a oração do Santo Rosário. O Rosário é um instrumento eficaz para nos ajudar a nos abrirmos a Deus, porque nos ajuda a vencer o egoísmo e a levar a paz aos corações, às famílias, à sociedade e ao mundo.” (Mensagem aos jovens reunidos para a “Sexta Jornada dos Jovens” da Lituânia 28-30 de junho)

6) Fazer barulho: “Aqui, no Rio, farão barulho, farão certamente. Mas eu quero que se façam ouvir também, nas dioceses, quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos”. (Discurso aos Jovens Argentinos durante a JMJ Rio 2013)

7) Aproximar-se da cruz de Cristo: “Queridos amigos, a Cruz de Cristo nos ensina a sermos como o Cireneu, aquele que ajuda Jesus a levar o madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o fim, com amor, com ternura. E você, como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?” (Discurso aos Jovens durante a Via-sacra, em Copacabana, durante a JMJ Rio 2013)

8) Ser protagonista das mudanças: “Através de vocês, entra o futuro no mundo. Também a vocês, eu peço para serem protagonistas desta mudança. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não ‘olhem da sacada’ a vida, entrem nela. Jesus não ficou na sacada, Ele mergulhou… ‘Não olhem da sacada’ a vida, mergulhem nela como fez Jesus”. (Discurso na Vigília de Oração, na praia de Copacabana, durante a JMJ Rio 2013)

9) Servir sem medo: “Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da Sua misericórdia e do Seu amor”. (Homilia da Missa de encerramento da JMJ Rio 2013)

10) Ser revolucionário: “Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, que não vale a pena se comprometer por toda a vida, fazer escolhas definitivas ‘para sempre’, uma vez que não se sabe o que nos reserva o amanhã. Nisso peço que se rebelem: que se rebelem contra a cultura do provisório, a qual, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. E também tenham a coragem de ser felizes!” (Discurso aos voluntários da JMJ Rio 2013)

Fonte: http://destrave.cancaonova.com/10-conselhos-do-papa-francisco-aos-jovens/

Jovens e santos


Acredito ainda em nossos dias, muitos pensem que os santos foram pessoas que já nasceram santas, ou que tiveram uma predileção por parte de Deus. Não!
Os santos foram pessoas que em sua condição pecadora e de fragilidade, viram na Graça de Deus, na bondade e até mesmo na sua paciência, o trampolim para a verdadeira liberdade e sentido de vida. Deus não escolhe os especiais, mas mediante a resposta e a abertura de coração destes homens e mulheres, torna-os capazes de brilhar na sociedade pelo seu testemunho e coragem, que com grande amor e vitalidade, abraçam a sua cruz unindo-a com a de Cristo. Os santos são aqueles que resplandecem a santidade de Deus, pois só Ele é santo.
A Igreja nos ensina, por meio da Sagrada Escritura e pela tradição recebida dos apóstolos, que cada um de nós somos chamados a santidade. Não é um simples chamado em que dizemos que vamos pensar em uma resposta, mas é um chamado que provoca toda a nossa existência, um convite que vai ao âmago de nosso ser, que arranca-nos de nosso estado de torpor, preguiça e superficialidade, lançando-nos a profundidade desse amor.
É por meio do batismo que somos incorporados a Cristo, Santo dos santos, e Nele a nossa humanidade caduca e frágil, é divinizada e elevada a um grande grau de dignidade, a condição de filiação divina, ou seja, tornamo-nos filhos de Deus, herdeiros de sua Graça, mas também comprometidos em sermos assim como o Pai-Deus: Santo!
É belo vermos o ritual da missa da Vigília da Páscoa, mãe de todas as vigílias, quando o sacerdote mergulha na pia batismal o círio pascal, mostrando, que Cristo, luz do mundo, fecunda a sua Igreja, ao qual nascerão todos os filhos de Deus, que repletos do Espírito Santo, e guiados por esta mãe e mestra, a Igreja, estarão prontos para incendiar de amor e generosidade este mundo.
Grandes santos de nossa história, foram marcados por bravuras e ações extraordinárias, como São Paulo, São Francisco, Santa Terezinha do Menino Jesus, e muitos outros. Mas no ordinário da vida,alguns nos precederam, sobretudo santos jovens, alguns que nunca estarão em nossos altares, mas pelo seu testemunho e amor a Deus, hoje estão diante deste mesmo Deus intercedendo por cada um de nós.
Alguns jovens, souberam  amar a Deus com todas as suas forças,  consagrando-se de forma simples e cotidiana, mas com grande intensidade. Alguns nomes, para nós brasileiros, são muito poucos conhecidos, como Santa Rosa de Viterbo, que morreu em 1253 com 18 anos incompletos. Esse fato aproxima muito o trabalho de Rosa com a juventude cristã-católica. À medida em que crescia, aumentavam também suas orações. Muitas vezes passava longas horas da noite em contemplação, em estado de ligação constante com Deus.
São Domingo Sávio, Filho de pessoas simples – um ferreiro e uma costureira. Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade” e aprendeu com facilidade as orações da manhã e da noite, ao passo que já rezava quando tinha apenas quatro anos.
Santa Inês de Praga, uma linda jovem nascida em Praga, na República Tcheca. Era filha do Rei da Bohemia (atual República Checa) e foi criada e educada pelas freiras Cistercienses. Mesmo quando ainda muito jovem, demonstrava um enorme desejo de se consagrar a Deus e viver intensamente a fé cristã. Por isso, recusou por diversas vezes propostas de rapazes que desejavam casar-se com ela, e estes não eram poucos, pois era uma jovem de destacável beleza. Porém, Inês sempre recusava os pedidos dizendo que o único compromisso que queria ter era com Jesus;
Santa GeannaBerettaMolla, adolescente tornou-se membro da Sociedade São Vicente de Paulo onde, voluntariamente trabalhava com os pobres e os idosos. Gianna via a medicina como um meio de servir a Deus e por isso escolheu essa profissão. Durante o período em que frequentou a universidade, dedicou-se aos seus deveres acadêmicos, mas não deixou de viver a sua fé, bem como de assumir seus deveres de cristã;  
São Gabriel da Virgem Dolorosa, que nasceu na Itália do Século XIX, viveu com o nome de Francisco e foi muito parecido com o Francisco do Século XII. Aliás, foi em homenagem a São Francisco de Assis que o pai – um rico advogado dos Estados Papais – batizou seu filho: Francesco Possenti. Não apenas no nome, mas os Franciscos assemelhavam-se em outros aspectos. Ambos “curtiam a dolcevita”, ou seja, eram jovens galanteadores, sonhadores, elegantes, festeiros e, após uma experiência com o Senhor, mudaram radicalmente sua forma de “curtir a vida”.
Poderíamos relacionar muitos outros santos jovens, que com coragem e auxílio do Espírito Santo, souberam acolher o convite de Deus, e se assim podemos dizer, com muita ousadia.
Lembro-me das palavras do Beato João Paulo II, um grande homem, que tinha uma opção especial pelos jovens, pela vitalidade que podiam oferecer ao Senhor em seu dia a dia, e dizia:
“Precisamos de Santos de calças jeans e tênis. Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos. Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar. Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade. Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo. Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais. Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man. Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos. Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte. Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros. Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos".
As vésperas da Jornada mundial da Juventude, que acontecerá em Madrid na Espanha, o encontro do Papa com os jovens do mundo inteiro, rogamos ao Espírito Santo, para que renove nos corações de nossos jovens o ardente desejo de ser discípulos e missionários de Cristo, para que Nele tenham vida, e vida em abundância. E que com este inflamado amor, seja sal e luz neste mundo, levando a outros a esta mesma experiência com o Cristo ressuscitado. E sobre a intercessão da Mãe de Deus, sintam-se acolhidos em suas necessidades e anseios, encontrando sempre no coração da Igreja esta experiência concreta do amor a Deus e ao próximo.

Arnaldo Rodrigues
Seminarista da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ


João Paulo II aos jovens: não tenham medo de falar de Cristo!



Trecho do Discurso do Papa João Paulo II, na Vigília de oração com os jovens espanhóis.
Queridos jovens, ide com confiança ao encontro de Jesus, e, como os novos santos,não tenhais medo de falar d’Ele! Porque Cristo é a resposta verdadeira para todas as perguntas sobre o homem e sobre o seu destino. É preciso que vós, jovens, vos convertais em apóstolos dos vossos coetâneos [contemporâneos]. Sei muito bem que isto não é fácil. Muitas vezes tereis a tentação de dizer como o profeta Jeremias: “Oh! Senhor, eu não sei exprimir-me, sou um jovem” (Jer 1, 6). Não desanimeis, porque não estais sozinhos: o Senhor nunca deixará de vos acompanhar, com a sua graça e com o dom do seu Espírito.
Esta presença fiel do Senhor torna-vos capazes de assumir o compromisso da nova evangelização, para a qual estão chamados todos os filhos da Igreja. É uma tarefa de todos. Nela os leigos têm um papel de protagonistas, especialmente os esposos e as famílias cristãs; sem dúvida, a evangelização exige hoje com urgência sacerdotes e pessoas consagradas. Eis a razão pela qual desejo dizer a cada um de vós, jovens: se sentis a chamada de Deus que vos diz: “Segue-me!” (Mc 2, 14; Lc 5, 27), não a sufoqueis. Sede generosos, respondei como Maria oferecendo a Deus o sim alegre das vossas pessoas e da vossa vida.



João Paulo II em sua primeira visita à Polônia após a sua eleição ao Trono de Pedro, em 1978.
Dou-vos o meu testemunho: eu fui ordenado quando tinha 26 anos. Desde então se passaram 56.
Então, quantos anos tem o Papa? Quase 83! Um jovem de 83 anos. Quando olho para trás e recordo estes anos da minha vida, posso garantir-vos que vale a pena dedicar-se à causa de Cristo e, por amor d’Ele, consagrar-se ao serviço do homem. Vale a pena dar a vida pelo Evangelho e pelos irmãos! Quantas horas faltam para a meia-noite? Três horas. Só três horas para a meia-noite e depois chega a manhã.
Ao concluir as minhas palavras desejo invocar Maria, a estrela luminosa que anuncia o alvorecer do Sol que nasce do Alto, Jesus Cristo:
Salve, Maria, cheia de graça! Fonte: Site do Vaticano


Santo Antônio, rogai a Deus por nós


Ainda em Portugal, na idade ainda adolescente, Santo Antonio pregava. Ele tinha costume de ir num rio do qual passava horas pregando, não para as águas, mas sim para os peixes. Tal dom de DEUS este que se os homens não o ouviam,mas os peixes o escutavam.
Santo Antônio é conhecido como Santo de Lisboa (Portugal). Por ter nascido nessa cidade portuguesa, e também como o santo de Pádua, por ter morrido em Pádua (Itália).
Fiel imitador de Cristo, humilde, carismático, foi um exímio pregador do Evangelho. Amante da pobreza e dos pobres, defendia os deserdados e explorados.
Discípulo de São Francisco, seu pai espiritual, Antônio também amava a natureza. Quando não era ouvido pelas pessoas, dirigia-se às aves e aos peixes. Passava muitos dias em meditação e oração em lugares afastados, longe do barulho e da agitação das cidades.
Um dia enquanto rezava recebeu a visita do Menino Jesus. Em razão dessa aparição, Santo Antônio é representado carregando o Menino Jesus nos braços.
O lírio que aparece nos braços ou nos pés, é o símbolo da pureza. A sua mensagem de fé e de amor para com Deus e a sua caridade para com os pobres continuam atuais.
Sal da terra e luz do mundo, Santo Antônio é tão procurado pelas pessoas que se tornou um dos santos mais populares do mundo.
Em sua companhia, procuremos reencontrar o verdadeiro sentido da nossa vida, a fé em Deus, o amor para com os mais pobres e uma esperança na Divina Providência.
Sejamos gratos a Deus por nos ter dado um padroeiro tão poderoso, a quem podemos recorrer em nossas necessidades, porque nunca se ouviu dizer que quem recorresse à sua intercessão não fosse atendido.

ORAÇÃO a Santo Antônio

Ó glorioso Santo Antônio, meu grande advogado, pela confiança e pelo amor que em vós depositei, dignai-vos conceder um olhar benigno em meu favor.  
Grande Santo, vós que operais tantos milagres e que tantas graças alcançais para aqueles que vos invocam, tende compaixão também deste devoto servo, que está tão necessitado de vosso auxílio. Dizei uma palavra àquele Menino, que feliz apertais entre os braços, e d'Ele impetrai a graça que humildemente vos peço...





São José, rogai a Deus por nós



A Festa de São José é um breve intervalo durante a Quaresma para celebrar e refletir sobre a importância do pai adotivo de Cristo na vida da Igreja:
- A Solenidade de São José, assim denominado Patrono da família, é como se fosse um intervalo, e um intervalo breve, nesse clima penitencial da Quaresma, para dar a alegria Pascal de celebrarmos o Mistério de Cristo na vida de São José, pai adotivo ou também chamado Pai terreno do filho unigênito de Deus Pai.
A Igreja o escolheu como padroeiro da boa morte, pois José deve ter terminado sua caminhada na terra ao lado de Jesus e Maria. O calendário litúrgico dedica duas comemorações festivas a este grande Santo: no dia 19 de março (em muitos países este é o dia dos pais) e no dia primeiro de maio, dia do trabalhador. São José foi escolhido como modelo de todos os trabalhadores.
São José foi escolhido também como Padroeiro das Vocações e sua espiritualidade deu origem a inúmeras Congregações religiosas, masculinas e femininas, que operam no mundo, seguindo seu estilo e carisma.
O Papa Francisco, há poucos meses, mandou inserir, na Liturgia eucarística, o nome de São José, que assim é invocado diariamente na hora da Missa, bem logo após a Consagração.
São José Esposo de Maria, ele foi o pai adotivo de Jesus. O evangelho de Mateus deixa claro que a gravidez de Maria na geração de Jesus não veio do marido, mas diretamente do Espírito Santo. No trabalho de carpinteiro José sustentou a Sagrada Família e por isso é chamado de ‘pai nutrício’ de Jesus.


No Evangelho José é o homem justo. A palavra bíblica resume o sentido da pessoa de José em relação à vinda do Salvador, o Messias descendente do rei Davi. A presença de José na genealogia do rei Davi garante a Jesus a linhagem real segundo o relato de Mateus: “Jacó foi pai de José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.” (Mt.1,16). Os evangelhos trazem algumas informações históricas sobre quem era José. Mas, deixam claro seu papel ao lado de Maria em função de Jesus.
Cristo Jesus, o salvador-messias, é o Filho de Deus nascido só de mãe humana. O texto de Mateus fala desse fato miraculoso: Jesus nasceu de uma virgem! Maria era solteira e noiva de José. Segundo o costume legal os noivos assumiam perante duas testemunhas a promessa de se casarem. Somente no final de um ano o noivado dava a eles o direito de coabitarem. A gravidez imprevista de Maria surpreendeu José que resolveu intimamente abandona-la. Tinha ele a certeza da honestidade da noiva e sem saber o que pensar não quis denunciá-la por adultério. Diz-nos Mateus: “José era justo” (v.19). Providencia a viagem até Belém por motivo do recenseamento ordenado pelo Império Romano. Está presente no nascimento de Jesus na gruta. Mesmo não sendo o pai carnal é ele quem impõe o nome ao menino no ato da circuncisão. Mais tarde protege a esposa e o menino na fuga para o Egito. Participa de toda a vida civil religiosa dos judeus. Sofre ao lado de Maria a incompreensão quanto a Jesus perdido em Jerusalém no Templo por três dias. Depois disso Lucas resume numa frase a vida da Sagrada Família em Nazaré: Jesus lhes era submisso e ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens. (Lc. 2,51-52). Enfim, José tem o perfil do homem justo, isto é, fiel a Deus em tudo e amante do trabalho humilde e honesto.
São José, pai adotivo de Jesus e aquele que, com seu silêncio, obediência e coragem, abraçou o Senhor da Vida.


A missão de São José não se encerra com a sua vida terrena, porque a autoridade de pai de José, pela vontade de Deus, estendeu-se sobre toda a Igreja. A Sagrada Família, que José governou com autoridade de pai, foi o berço da Igreja nascente. São José compreendeu o mistério da encarnação de Cristo, tornando-se, assim, um participante da promessa de Deus.
Através deste exemplo, vemos que Deus escolhe os justos e simples para realizar o seu amor no meio do povo; e hoje somos chamados, todos, a louvar a Deus pelo ‘Sim’ de São José, falou.São José, o homem justo e temente a Deus, não é nada mais senão um sinal Dele no meio do povo.
 São José ouviu a voz do anjo e se colocou à disposição para cuidar de Maria e do filho Jesus. Que este grande Santo abençoe nossas famílias, os trabalhadores, e consiga muitas vocações para a vida religiosa e sacerdotal, para que a pessoa de Jesus seja cada vez mais conhecida e amada. São José, rogai a Deus por nós.

sábado, 4 de março de 2017

Tempo Quaresmal

QUARTA-FEIRA DE CINZAS – INÍCIO DA QUARESMA
O SIGNIFICADO DAS CINZAS

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: “Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza” (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.



O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que se recusavam a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: “Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro “De Poenitentia” , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria “viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas”. O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.




Já no período medieval, por volta do século VIII, àquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: “Recorda-te que és pó e em pó te converterás”. Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: “Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?” O moribundo então respondia: “Sim, estou de acordo”. Pode-se apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas servia para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja.

Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano.


As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: “Recorda-te que és pó e em pó te converterás” ou então “Arrepende-te e crede no Evangelho”.

 
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação.

Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.

BÊNÇÃO E IMPOSIÇÃO DAS CINZAS NO INÍCIO DA QUARESMA
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:

Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: “você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3, 19). Somo chamado;

Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.

Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração das Palavras.

Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.


A primeira parte deste texto foi traduzida de um escrito do Padre Saunders que apareceu publicado no Arlington Catholic Herald, em 17 de fevereiro de 1994. O Padre Saunders é Presidente do Instituto Notre Dame para Catequese e Assistente de Pároco na Igreja Rainha dos Apóstolos em Alexandria, Virigina. (Cortesia do Website EWTN, 1998). A segunda parte foi obtida do opúsculo SÍMBOLOS NA LITURGIA, Ione Buyst, Paulinas, 1998.


CONHEÇA O SIGNIFICADO DA QUARESMA




Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória", o "Aleluia" e o "Te Deum".

Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. 


Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.

POR QUE A COR ROXA? 

A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitência e a contrição. Usa-se no tempo da Quaresma e do Advento. 


Nesta época do ano, os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras. Antigamente, era costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas. Na nossa cultura, o roxo lembra tristeza e dor. Isto porque na Quaresma celebramos a Paixão de Cristo: na Via-Sacra contemplamos Jesus a caminho do Calvário

QUAL O SIGNIFICADO DESTES 40 DIAS? 

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.

O JEJUM

A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. 

Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades.


O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. Os sacrifícios, que podem ser escolhidos livremente, por exemplo: um jovem deixa de mascar chicletes por um mês, e o valor que gastaria nos doces é usado para o bem de alguém necessitado. 


Fonte: UOL Mais
http://paroquiasenhordobonfimesantarita.blogspot.com.br/2017/02/quarta-feira-de-cinzas-inicio-da.html#more

Papa envia mensagem para a CF 2017: "O criador foi pródigo com o Brasil"


Biomas - RV
Cidade do Vaticano (RV) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017).  O tema  da Campanha: "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida",O lançamento foi na sede da entidade, em Brasília (DF).
A campanha, que tem como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Eis a íntegra do texto:
 
Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum.
O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.
O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus - através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.
Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.
Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.
Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim.

Vaticano, 15 de fevereiro de 2017.

[Franciscus PP.]
Fonte:http://br.radiovaticana.va/news/2017/03/01/papa_envia_mensagem_para_a_cf_2017_o_criador_foi_pr%C3%B3digo_/1295761

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2017



A "Transfiguração", de Raffaello Sanzio - RV

Publicamos a seguir o texto integral da Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma 2017, sobre o tema "A Palavra é um dom. O outro é um dom":
 Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.
1. O outro é um dom
A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.
A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).
Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.
2. O pecado cega-nos
A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).
O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.
Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).
O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.
Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).
3. A Palavra é um dom
O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).
Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.
Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.
Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).
Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.
Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.
Vaticano, 18 de outubro de 2016.
Festa do Evangelista São Lucas
FRANCISCO
Fonte:http://pt.radiovaticana.va/news/2017/02/07/papa_francisco_mensagem_para_quaresma_2017_-_texto_integral/1290880