Catequistas de Conquista

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domingo, 24 de março de 2013

Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a celebração dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II


Ao clero, consagrados e consagradas na Vida Religiosa e em outras formas de consagração a Deus, ao querido povo de Deus em nossas Dioceses:
No dia 11 de outubro deste ano, o Papa Bento XVI presidirá, em Roma, à solene abertura do Ano da Fé, para comemorar o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e o 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Celebrações tão significativas são motivo de grande alegria para a Igreja e convite para voltarmos nosso olhar para o imenso dom deste Concílio, no qual participaram os Bispos do mundo inteiro, convocados e presididos pelo Sucessor de Pedro. Mas é também ocasião para uma avaliação a respeito da aplicação das decisões conciliares e do caminho que resta ainda a ser percorrido nessa direção.
O Papa João XXIII, explicou que convocava o Concílio para “o crescimento da fé católica, a saudável renovação dos costumes no povo cristão e a melhor adaptação da disciplina da Igreja às necessidades de nosso tempo. [...] Sem dúvida constituirá maravilhoso espetáculo de verdade, unidade e caridade que, ao ser contemplado pelos que vivem separados desta Sé Apostólica, os convidará, como esperamos, a buscar e conseguir a unidade pela qual Cristo dirigiu ao Pai do Céu a sua fervorosa oração” (Encíclica Ad Petri Cathedram, 33). Assim, o Concílio Ecumênico poderia “restituir ao rosto da Igreja de Cristo o esplendor dos traços mais simples e mais puros de suas origens” (Homilia a um grupo bizantino-eslavo, 13/11/1963). O Beato João XXIII e o Venerável Paulo VI consideraram o Concílio, suscitado pelo Espírito Santo, um novo Pentecostes, uma verdadeira primavera para a Igreja.
Ao longo das quatro sessões conciliares, que contaram com a presença de presbíteros, consagrados e consagradas, de cristãos leigos e leigas e de representantes de outras Igrejas cristãs, a Igreja de nosso tempo pôde testemunhar como age o Espírito Santo no mundo, na História e no coração dos fiéis. Os dezesseis Documentos foram preparados por especialistas, debatidos e enriquecidos pelos Padres Conciliares e, uma vez aprovados pelos Bispos, foram apresentados ao Papa Paulo VI, que os promulgou com a bela fórmula: “nós, juntamente com os veneráveis Padres e o Espírito Santo, os aprovamos, decretamos e estatuímos”. Testemunhou-se assim, em pleno século XX, a experiência da Assembleia Apostólica de Jerusalém, no final da qual os Apóstolos divulgaram suas conclusões com esta declaração: “Decidimos, o Espírito Santo e nós...” (At 15,28).
A Igreja no Brasil, com o seu Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970), aprovado pela CNBB nos últimos dias do Concílio, acolheu com entusiasmo as decisões conciliares. Com as outras Igrejas Particulares da América-Latina e do Caribe, abriu caminhos para uma recepção fiel e criativa do Concílio, nas Conferências Continentais do Episcopado: Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.
Os frutos desse Concílio manifestam-se nos mais diversos âmbitos da vida eclesial: na compreensão da Igreja como povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo; na abertura aos desafios do mundo atual, partilhando suas alegrias, tristezas e esperanças; na colegialidade dos Bispos; na renovação da liturgia; no conhecimento e na acolhida da Palavra de Deus; no dinamismo missionário e ministerial das comunidades; no diálogo ecumênico e inter-religioso...
A celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e a volta aos seus documentos nos levem ao discernimento sobre o que o Espírito Santo continua a dizer à Igreja e à humanidade nas circunstâncias atuais, como observou o Papa Bento XVI, logo após sua eleição como Sucessor de Pedro: “com o passar dos anos, os textos conciliares não perderam sua atualidade; ao contrário, seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Discurso aos cardeais eleitores, 20/04/2005).
Destacando a necessidade de ler, conhecer e assimilar os Documentos do Concílio, como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja, o Papa cita o Beato João Paulo II: no Concílio, “encontra-se uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa” (Novo millennio ineunte, 57). E continua: “Se o lermos e recebermos, guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a necessária renovação da Igreja” (Porta Fidei, 5).
A CNBB promove a comemoração do cinquentenário do Concílio ao longo de quatro anos. Cada Diocese saberá descobrir modos de celebrar este aniversário, unindo-se às iniciativas que se multiplicarão pelas Igrejas Particulares do mundo inteiro. Essas celebrações serão tanto mais proveitosas, e seus frutos duradouros, se forem orientadas pelas grandes indicações do Ano da Fé: a busca de uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo, e a convicção de que “o amor de Cristo nos impele” a uma nova evangelização (cf. 2Cor 5, 14). Incentivamos, de modo especial, nossos centros de estudos, seminários e organizações eclesiais a aprofundarem, com renovado ânimo, o estudo dos Documentos do Concílio, como importante parte da formação teológica e pastoral.
Fazendo um forte convite a redescobrir a riqueza do Concílio Vaticano II e a avaliar seus frutos ao longo desses 50 anos pós-conciliares, a CNBB oferece algumas sugestões específicas para tal celebração, que podem ser encontradas no site da CNBB (www.cnbb.org.br).
Nesta promissora tarefa, acompanhe-nos, com sua intercessão, aquela que é a “Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 53), invocada por nós com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Fonte:http://www.cnbb.org.br/site/eventos/assembleia-geral/9135-bispos-emitem-nota-sobre-os-50-anos-de-abertura-do-concilio-vaticano-ii           
             
 Vídeo Vaticano II 50 Anos

                               

 Vídeo Concílio Vaticano II - 50 anos de História e Ano da Fé 2012/2013

                                


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Objetivos e funcionamento do Concílio Vaticano II




















1. Os grandes objetivos do Concílio: Ao convocar o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII tinha em mente que seu objetivo seria “aggiornare la Chiesa”, atualizar, ajudar a Igreja ser mais conforme ao que Jesus Cristo dela quer e a estar inserida no contexto do mundo contemporâneo cumprindo, da melhor maneira possível, sua missão de evangelizar. Aos poucos ele explicitou este objetivo:

- renovar a Igreja em si mesma a partir do Evangelho
- revigorar a vida de fé, a vida moral e apostólica de todos os membros da Igreja.
- tornar a fé católica mais expressiva no coração do mundo contemporâneo.
- estudar as mudanças culturais do mundo moderno à luz da Revelação Divina
- realizar profunda renovação das estruturas organizativas da Igreja e de suas mediações operacionais para melhor atuar em benefício de seus membros (liturgia, leitura da Palavra de Deus, Formação dos presbíteros, organização renovada das Dioceses e Paróquias, renovação da vida consagrada, adaptação da disciplina esclesiástica às necessidades e oportunidades de nosso tempo...); e também renovar a Igreja em favor de sua ação externa na evangelização e transformação do mundo (conhecer o mundo de hoje não para condená-lo, mas com ele dialogar e com ele e nele atuar de modo eficaz em prol da felicidade do ser humano).

2. Um gigantesco trabalho. Para cumprir os grandes objetivos do Concílio seus organizadores tiveram que reajustar todo o plano de trabalho proposto. Os documentos previamente elaborados destinavam-se a facilitar o diálogo e as votações e não exigir um tempo longo aos membros do Concílio (os padres conciliares). Mas o inesperado aconteceu. Todos os documentos prontos foram rejeitados. Os padres conciliares, mais de 2.500, queriam produzir o pensamento conciliar. Foi um gesto corajoso, resultado de leituras diferentes das grandes propostas do Papa, com ênfase na atenção às origens da Igreja, à realidade do mundo em mudança e ao futuro. Esta mudança de rumo exigiu outros processos metodológicos, outra organização do Concílio, com nova escolha dos temas, nova formação de grupos de estudo e nova proposta de prazos. A tarefa prioritária consistia agora em um reestudo sobre a própria razão de ser da Igreja, de seu funcionamento na história e de sua missão no mundo em constante mudança. Este estudo implicou uma volta às Sagradas Escrituras, à pessoa, mensagem e missão de Jesus, à Igreja primitiva e aos grandes dogmas que configuraram os elementos fundamentais da fé cristã, assim como da organização da Igreja e de sua compreensão da missão. Mas a tarefa do Concílio exigiu-lhe, também, um debruçar-se amplo, corajoso e, com abertura de espírito, sobre a realidade do mundo contemporâneo.

3. Organização do Concílio. Definiu-se que haveria quatro grandes sessões conciliares e que entre as mesmas haveria um intenso trabalho de leitura e produção do pensamento conciliar, com um acordo sobre o encerramento dos trabalhos em 1965. A língua oficial seria o latim. Esta primeira sessão do Concílio, iniciada em 08 de outubro de 1962, definiu os temas a serem apresentados nas diversas sessões conciliares para debate final e votação e foram organizados os grupos de trabalhos segundo cada tema. Os instrumentos de trabalho seriam enviados a todos os membros do Concílio para receber contribuições. Um ponto a destacar é a representatividade da Igreja, pois os participantes do Concílio procediam de todas as partes do mundo e ainda havia convidados de outras igrejas cristãs e das grandes religiões, demonstração óbvia de grandes mudanças internas na Igreja, no próprio ato de convocar e organizar o Concílio.


Irmão Nery fsc
irnery@yahoo.com.br

Fonte:http://catequeseebiblia.blogspot.com.br/2012/04/objetivos-e-funcionamento-do-concilio.html

O Concílio Vaticano II é um autêntico sinal de Deus












Começo uma série de pequenos artigos sobre os 50 Anos do Concílio Vaticano II (1962-1965) citando alguns parágrafos do Papa Bento XVI num vídeo-mensagem para o Encontro Nacional da Igreja da França em Lourdes com os bispos e 2.500 leigos/as, religiosos/as e presbíteros de todas as dioceses do país.

“O Concílio Vaticano II foi e é autêntico sinal de Deus para os nossos tempos. Se soubermos lê-lo e acolhê-lo dentro da Tradição da Igreja e sob a orientação segura do Magistério, ele será sempre uma grande força para o futuro da Igreja.

Espero sinceramente que este aniversário seja para vós e para toda a Igreja em vosso país, ocasião de renovação espiritual e pastoral. Este, de fato, nos oferece a oportunidade de conhecer melhor os textos, que os Padres conciliares nos deixaram em herança e que não perderam seu valor, a fim de assimilar e assegurar que produzam frutos para hoje.

Essa renovação, que se insere na continuidade, assume diversas formas e o Ano da Fé, que quis propor a toda a Igreja por esta ocasião, deve permitir tornar nossa fé mais consciente, revitalizando nossa adesão ao Evangelho.

Isso requer uma abertura cada dia maior à pessoa de Cristo, sobretudo redescobrindo “o gosto” pela Palavra de Deus, para realizar uma profunda conversão do nosso coração e para andarmos pelas estradas do mundo a proclamar o Evangelho da esperança aos homens e às mulheres do nosso tempo, em diálogo respeitoso com todos.

Que este tempo de graça permita consolidar a comunhão no interior da grande família que é a Igreja católica e contribua na reconstrução da unidade entre todos os cristãos, que era um dos principais objetivos do Concílio.

A renovação da Igreja passa também através do testemunho dado pela vida dos próprios cristãos para que resplandeça a Palavra da verdade que o Senhor nos deixou.

Redescobrir a alegria de acreditar e o entusiasmo de comunicar a força e a beleza da fé é uma questão essencial da nova evangelização à qual toda a Igreja é convidada. Coloquem-se a caminho, sem medo de levar os homens e mulheres de vosso país em direção a amizade com Cristo!

Queridos irmãos e irmãs, que a Virgem Imaculada, Nossa Senhora de Lourdes, que teve um importante papel no mistério da salvação, seja para vós uma luz na estrada que conduz a Cristo e os ajude a crescer na fé” (cf. Zenit, 26/03/2012).

Os documentos do Concílio e o espírito renovador suscitado por ele impulsionaram uma rica primavera na Igreja. Duas características marcaram este período: a possibilidade de uma Igreja de comunhão e participação, a partir da igualdade básica de todos garantida pelo batismo, e um grande entusiasmo no compromisso com a transformação evangélica da sociedade. Como conseqüência houve grandes mudanças quanto à própria compreensão da Igreja em si e de sua missão no mundo contemporâneo, o que exigiu uma volta decisiva à Sagrada Escritura, novos parâmetros para a Teologia, permanente leitura crítica das mudanças vertiginosas do mundo, e busca de meios adequados para se poder atender, como Igreja, às necessidades sempre novas da sociedade.

À luz da fé, como diz Bento XVI, “o Concílio Vaticano II foi e é autêntico sinal de Deus para os nossos tempos” e “será sempre uma grande força para o futuro da Igreja.

Irmão Nery fsc

Fonte:http://catequeseebiblia.blogspot.com.br/2012/04/o-concilio-vaticano-ii-e-um-autentico.html