Catequistas de Conquista

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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Eucaristia: Presença Real do Senhor

Sendo o pão uma comida que nos serve de alimento e se conserva guardando, Jesus Cristo quis ficar na terra sob as espécies de pão, não só para servir de alimento às almas que o recebem na sagrada Comunhão, mas também para ser conservado no Sacrário e fazer-se presente a nós, nos manifestando por este eficaz meio, o amor que nos tem.

O que é a Eucaristia?

A Eucaristia é a consagração do pão no Corpo de Cristo e do vinho em seu Sangue que renova mística e sacramentalmente o sacrifício de Jesus na Cruz. A Eucaristia é Jesus real e pessoalmente presente  no pão e no vinho que o sacerdote consagra. Pela fé cremos que a presença de Jesus na Hóstia e no vinho não é só simbólica, mas real; isto se chama o mistério da transubstanciação já que o que muda é a substância do pão e do vinho; os acidente—forma, cor, sabor, etc.— permanecem iguais.

A instituição da Eucaristia, aconteceu durante a última ceia pascal que celebrou com seus discípulos e os quatro relatos coincidem no essencial, em todos eles a consagração do pão precede a do cálice; embora devamos lembrar, que na realidade histórica, a celebração da Eucaristia ( Fração do  Pão ) começou na Igreja primitiva antes da redação dos Evangelhos.

Os sinais essenciais do sacramentos eucarístico são pão de trigo e vinho da videira, sobre os quais é invocada a bênção do Espírito Santo e o presbítero pronuncia as palavras da consagração ditas por Jesus na última Ceia: "Isto é meu Corpo entregue por vós... Este é o cálice do meu Sangue..."

Encontro com Jesus amor

Necessariamente o encontro com Cristo Eucaristia é uma experiência pessoal e íntima, e que supõe o encontro pleno de dois que se amam. É, portanto, impossível generalizar sobre eles. Porque só Deus conhece os corações dos homens. Entretanto, sim devemos transluzir em nossa vida, a transcendência do encontro íntimo com o Amor. É lógico pensar que quem recebe esta Graça, está em maior capacidade de amar e de servir ao irmão e que além disso, alimentado com o Pão da Vida deve estar mais fortalecido para enfrentar as provações, para encarar o sofrimento, para contagiar sua fé e sua esperança. Em fim, para levar a feliz término a missão, a vocação, que o Senhor lhe dá.

Se apreciássemos de veras a Presença de Cristo no sacrário, nunca o encontraríamos sozinho, acompanhado apenas pela lâmpada Eucarística acesa, o Senhor hoje nos diz a todos e a cada um, o mesmo que disse aos Apóstolos "Com ânsias desejei comer esta Páscoa convosco " Lc.22,15. O Senhor nos espera ansioso para entregar-se a nós como alimento; somos conscientes disso, de que o Senhor nos espera no Sacrário, com a mesa  celestial servida.? E nós, por que o deixamos esperando.? Ou é por acaso,  quando vem alguém de visita a nossa casa, o deixamos na sala e vamos nos ocupar de nossas coisas?

É exatamente isso o que fazemos em nosso apostolado, quando nos enchemos de atividades e nos descuidamos na oração diante do Senhor, que nos espera no Sacrário, preso porque nos "amou até o extremo" e resulta que, por quem se fez o mundo e tudo o que nele habita (nós inclusive)  encontra-se ali, oculto aos olhos, mas incrivelmente luminoso e poderoso para saciar todas nossas necessidades.

Está Cristo presente na Eucaristia?

São vários os caminhos pelos quais podemos nos aproximar do Senhor Jesus e assim viver uma existência realmente cristã, quer dizer, segundo a medida do próprio Cristo, de tal maneira que seja Ele mesmo quem vive em nós (ver Gl 2,20). Uma vez ascendido aos céus o Senhor nos deixou seu Espírito.

Por sua promessa é segura sua presença até o fim do mundo (ver Mt 28, 20). Jesus Cristo se faz realmente presente em sua Igreja não somente através da Sagrada Escritura, mas também, e de maneira mais excelsa, na Eucaristia.

O que quer dizer Jesus com "vinde a mim"?

Ele mesmo nos revela o mistério mais adiante: "Eu sou o pão da vida. O que vem a mim, não sentirá fome, o que crê em mim nunca terá sede" (Jo 6,35). Jesus nos convida a alimentar-nos d'Ele. É na Eucaristia onde nos alimentamos do Pão da Vida que é o próprio Senhor Jesus.

Não está Cristo falando de forma simbólica?

Cristo, argumenta-se, poderia estar falando simbolicamente. Ele disse: "Eu sou a videira" e Ele não é uma videira; "Eu sou a porta" e Cristo não é uma porta.

Mas o contexto no qual o Senhor Jesus afirma que Ele é o pão da vida não é simbólico ou alegórico, mas doutrinal. É um diálogo com perguntas e respostas como Jesus costuma fazer ao expor uma doutrina.

Às perguntas e objeções que lhe são feitas pelos judeus no Capítulo 6 de São João, Jesus Cristo responde reafirmando o sentido imediato de suas palavras. Quanto mais rejeição e oposição encontra, mais Cristo insiste no sentido único das palavras: "Minha carne é verdadeiramente uma comida e meu sangue é verdadeiramente uma bebida" (v.55).

Isto faz com que os discípulos o abandonem (v.66). E Jesus Cristo não tenta retê-los tratando de explicar-lhes que o que acaba de dizer-lhes é tão somente uma parábola. Pelo contrário, interroga a seus próprios apóstolos: "Não quereis também vós partir?". E Pedro responde: "Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna." (v.67-68).

Os Apóstolos entenderam o sentido imediato das palavras de Jesus na última ceia. "Tomou o pão...e disse: "Tomai e comei, este é o meu corpo". (Lc 22,19). E eles ao invés de dizer-lhe: "explica-nos esta parábola, "tomaram e comeram, quer dizer, aceitaram o sentido imediato das palavras. Jesus não disse "Tomai e comei, isto é como se fosse meu corpo... é um símbolo de meu sangue".

Alguém poderia objetar que as palavras de Jesus "fazei isto em memória de mim" não indicam mais que esse gesto deveria ser feito no futuro como uma simples recordação, um fazer memória com qualquer um de nós pode recordar algum fato de seu passado e, deste modo, "trazer ao presente". Entretanto não é assim, porque memória, anamnese ou memorial, no sentido empregado na Sagrada Escritura, não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou em favor dos homens. Na celebração litúrgica, estes acontecimentos se fazem, de certa maneira, presentes e atuais.

Assim, pois, quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo e esta se faz presente: o sacrifício que Cristo ofereceu de uma vez para sempre na cruz permanece sempre atual (ver Hb 7,25-27). Por isso a Eucaristia é um sacrifício (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1363-1365).

São Paulo expõe a fé da Igreja no mesmo sentido: "O cálice de benção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?" (1Cor 10,16). A comunidade cristã primitiva, os próprios testemunhas da última ceia , quer dizer, os Apóstolos, não teriam permitido que Paulo transmitisse uma interpretação falsa desse acontecimento.

Os primeiros cristãos acusam os docetas (aqueles que afirmavam que o corpo de Cristo não era mais que uma aparência) de não crer na presença de Cristo na Eucaristia: "Se abstêm da Eucaristia, porque não confessam que é a carne de nosso salvador". Santo Inácio de Antioquia (Esmir VII).

Finalmente, se fosse simbólico quando Jesus afirma: "O que come minha carne e bebe o meu sangue..." então também seria simbólico quando acrescenta: "...tem vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54).

Por acaso a ressurreição é simbólica? Por acaso a vida eterna é simbólica?
Tudo, portanto, favorece a interpretação literal ou imediata e não simbólica do discurso. Não é correto, pois, afirmar que a Escritura deve ser interpretada literalmente e, por sua vez, fazer uma arbitrária e brusca exceção nesta passagem.

Se a missa rememora o sacrifício de Jesus, Cristo volta a padecer o Calvário em cada Missa?
A carta aos Hebreus diz: "Mas Ele possui um sacerdócio perpétuo, porque permanece para sempre...Assim é o sacerdote que nos convinha: santo inocente...que não tem necessidade de oferecer sacrifícios cada dia...Nós somos santificados, mediante uma só oblação pelos pecados." (Hb 7, 26-28 e 10, 14-18).

A Igreja ensina que a Missa é um sacrifício, mas não como acontecimento histórico e visível, mas como sacramento e, portanto, é incruento, quer dizer, sem dor nem derramamento de sangue (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1367).

Portanto, na Missa Jesus Cristo não sofre uma "nova agonia", mas que é a oblação amorosa do Filho ao Pai, "pelo qual Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados" (CVII. Sacrosanctum Concilium n. 7).

O sacrifício da Missa não acrescenta nada ao Sacrifício da Cruz nem o repete, mas o "representa", no sentido de que "o faz presente" sacramentalmente em nossos altares, o mesmo e único sacrifício do Calvário (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1366; Paulo VI, Credo do Povo de Deus n. 24).

O texto de Hebreus 7,27 não diz que o sacrifício de Cristo o realizou "de uma só vez e já se acabou", mas "de uma vez para sempre". Isto quer dizer que o único sacrifício de Cristo permanece para sempre (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1364). Por isso diz o Concílio: "Nosso Salvador, na última ceia, ...instituiu o sacrifício eucarístico de seu corpo e sangue, com o qual ia perpetuar pelos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz" (ver Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium n.47). Portanto, o sacrifício da Missa não é uma repetição mas uma re-apresentação e renovação do único e perfeito sacrifício da cruz pelo qual fomos reconciliados.
Frutos da Eucaristia

Ao receber a Eucaristia, ficamos intimamente aderidos a Cristo Jesus, que nos transmite sua graça.

A comunhão nos aparta do pecado, é este o grande mistério da redenção, pois seu Corpo e seu Sangue são derramados pelo perdão dos pecados.

A Eucaristia fortalece a caridade, que na vida cotidiana tende a debilitar-se; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais.

A Eucaristia nos preserva de futuros pecados mortais, pois quanto mais participamos da vida de Cristo e mais progredimos em sua amizade, tanto mais difícil será romper noso vínculo de amor com ele.

A Eucaristia é o Sacramento da unidade, pois quem recebe o Corpo de Cristo se une entre si em um só corpo: A Igreja. A comunhão renova, fortifica, aprofunda esta incorporação com a Igreja realizada já no Batismo.

A Eucaristia nos compromete a favor dos pobres; poi o receber o Corpo e o Sangue de Cristo que são a Caridade mesma no torna caritativos.
Porque a Eucaristia é um sacrifício?

A Eucaristia é, acima de tudo, um sacrifício: sacrifício da Redenção e ao mesmo tempo sacrifício da Nova Aliança. O homem e omundo são restituídos a Deus por meio da novidade pascal da Redenção. Esta restituição não pode faltar: é fundamento da "aliança nova e eterna" de Deus com o homem e do homem com Deus. Se chegasse a faltar, seria preciso rever seja a excelência do sacrifício da Redenção que foi perfeito e definitivo, ou o valor sacrificial da Santa Missa. Portanto a Eucaristia, sendo verdadeiro sacrifício, obra essa restituição de Deus.

Neste sentido, o celebrante, enquanto ministro do sacrifício, é o autêntico sacerdote, que realiza –em virtude do poder específico da sagrada ordem- o verdadeiro ato sacrificial que leva de novamente os homens a Deus. Ao contrário, todos aqueles que participam da  Eucaristia,  sacrificam-se como ele, oferecem com ele, em virtude do sacerdócio comum, seus próprios sacrifícios espirituais, representados pelo pão e o vinho, desde o momento de sua apresentação no altar.

Efetivamente, este ato litúrgico solenizado por quase todas as liturgias, "tem seu valor e seu significado espiritual". O pão e o vinho se convertem em certo sentido em símbolo de tudo o que leva a assembléia eucarística, por si mesma, em oferenda a Deus e que oferece em espírito. É importante que este primeiro momento da liturgia  eucarística, em sentido estrito, encontra sua expressão no comportamento dos participantes. A isto corresponde a chamada procissão da oferendas, prevista pela recente reforma litúrgica e acompanhada, segundo a antiga tradição, por um salmo ou  cântico.

Todos os que participam com fé da  Eucaristía se dão conta de que ela é  Sacrificium", isto é, uma "Oferenda consagrada". Com efeito, o pão e o vinho, apresentados no altar e acompanhados pela devoção e pelos sacrifícios espirituais dos participantes, são finalmente consagrados, para que se convertam verdadeira, real e substancialmente no Corpo entregado e no Sangue derramado de Cristo mesmo. Assim, em virtude da consagração, as espécie de pão e vinho, "re-presentam", de modo sacramental e incruento, o Sacrifício propiciatório oferecido por Ele na cruz ao Pai para a salvação do mundo.

Porque a Eucaristia é um Sacramento?

A recepção de Jesus Cristo sacramentado sob as espécies de pão e vinho na sagrada Comunhão significa e verifica o alimento espiritual da alma. E assim, enquanto que nela se dá a graça invisível sob espécies visíveis, guarda razão de sacramento. Jesus ao instituir a Eucaristia lhe confere intrinsecamente o valor sacramental pois através dela Ele nos transmite sua graça, sua presença viva. Por isso, a Eucaristia é o mais importante dos sacramentos, de onde saem e para onde se dirigem todos os demais, centro da vida litúrgica, expressão e alimento da comunhão cristã.

Sacramento de Unidade. Ao nos referirmos à Eucaristia como Comunhão, estamos proclamando nossa união entre todos os cristãos e nossa adesão à Igreja com Jesus. Por isso, a Eucaristia é um sacramento de unidade da Igreja, e sua celebração só é possível onde há uma comunidade de fiéis.

Sacramento do amor fraterno. Na mesma noite em que Jesus instituiu a Eucaristia, instituiu o mandamento do amor. Portanto, a Eucaristia e o amor aos demais têm que andar sempre juntos. Jesus institui a Eucaristia como prova de seu imenso amor por nós e pede aos que vamos participar dela,  que nos amemos como Ele nos amou. E, neste sentido, a Eucaristia deve estar necessariametne antecedido pelo Sacramento da Reconciliação pois o receber o "alimento de vida eterna" exige uma reconciliação constante com os irmãos e com Deus Pai.

O mistério eucarístico, desgarrado de sua própria natureza sacrificial e sacramental, deixa simplesmente de ser tal. Não admite nenhuma imitação "profana", que se converteria muito facilmente (se nao até mesmo como norma) em uma profanação. Isto deve ser sempre lembrado, e principalmente em nosso tempo em que observamos uma tendência a apagar a distinção entre "sacrum" e "profanum", dada a difundida tendência geral (ao menos em alguns lugares) à dessacralização de tudo.

Em tal realidade a Igreja tem o dever particular de assegurar e corroborar o "sacrum" da Eucaristia. Em nossa sociedade pluralista, e às vezes também deliberadamente secularizada, a fé viva da comunidade cristã -fé consciente inclusive dos próprios  direitos a respeito de todos aqueles que não compartilham a mesma fé- garante a este "sacrum" o direito de cidadania. O dever de respeitar a fé de cada um é ao mesmo tempo co-relativa ao direito natural e civil da liberdade de consciência e de religião.

Os ministros da Eucaristia devem, portanto, principalmente em nossos dias, ser iluminados pela plenitude desta fé viva, e à luz dela devem compreender e cumprir tudo o que faz parte de seu ministério sacerdotal, por vontade de Cristo e de sua Igreja.


A Santa Missa

Jesus quis deixar para a Igreja um sacramento que perpetuasse o sacrifício de sua morte na cruz. Por isso, antes de começar sua paixão, reunido com seus apóstolos na última ceia, instituiu o sacramento da Eucaristia, convertendo pão e vinho em seu próprio corpo vivo, e o deu de comer, fez partícipes de seu sacerdócio aos apóstolos e mandou-lhes que fizessem o mesmo em sua memória.

Assim a Santa Missa é a renovação do sacrifício reconciliador do Senhor Jesus. Além de ser uma obrigação grave assistir à Santa Missa aos domingos e feriados religiosos de preceito -a menos que esteja impedido por uma causa grave-, é também um ato de amor que deve brotar naturalmente de cada cristão, como resposta agradecida frente ao imenso dom que significa que Deus se faça presente na Eucaristia.

O que é a Eucaristia?

É o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo sob as espécies de pão e vinho. Por meio da consagração, o sacerdote converte realmente no corpo e sangue de Cristo o pão e vinho oferecido no altar.

O que é a Santa Missa?

É a renovação sacramental do sacrifício da cruz.

A Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz?

Sim, a Santa Missa é o mesmo sacrifício da Cruz, mas sem derramamento de sangue, pois agora Jesus Cristo encontra-se em estado glorioso.

Quem pode celebrar a Santa Missa?

Somente os sacerdotes podem celebrar a Santa Missa, pois somente eles podem atuar personificando a Cristo, cabeça da Igreja.

Quais são os fins pelos quais se oferece a Santa Missa?

Os fins pelos quais se oferece a Santa Missa são quatro: adorar a Deus, agradecer por seu benefícios, pedir-lhe dons e graças, e para a satisfação por nossos pecados.

A Santa Comunhão

A Eucaristia é também banquete sagrado, no qual recebemos a Jesus Cristo como alimento de nossas almas.

A Comunhão é receber a Jesus Cristo sacramentado na Eucaristia; de maneira que, ao comungar, entra em nós mesmos Jesus Cristo vivo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem,com seu corpo, sangue, alma e divindade.

A Eucaristia é a fonte e cume da vida a Igreja, e também de nossa vida em Deus. A Igreja manda comunga pelo menos uma vez ao ano, em estado de graça; recomenda vivamente a comunhão freqüente e, se possível, sempre que se assista a Santa Missa, para que a participação do sacrifício de Jesus seja completa.

É muito importante receber a Primeira Comunhão quando se chega ao uso da razão, com a devida preparação.

O que é a Santa Comunhão?

A Sagrada Comunhão é receber Jesus Cristo presente na Eucaristia.

De que modo Jesus Cristo está presente na Eucaristia?

Jesus Cristo está na Eucaristia verdadeira, real e substancialmente presente, inteiro, vivo e glorioso, com seu corpo, sangue, alma e divindade, em cada uma das espécies e em qualquer parte delas.

A Hóstia consagrada é uma "coisa"?

Não, a Hóstia consagrada não é uma "coisa", embora o pareça; é uma Pessoa Divina, é Jesus vivo e verdadeiro.

Quem pode comungar?

Pode comungar quem estiver em graça de Deus, guardar o jejum eucarístico e saber quem vai receber.

Em que consiste o jejum eucarístico?

Consiste em abster-se de tomar qualquer alimento ou bebida, pelo menos uma hora antes da Sagrada Comunhão, exceto água e remédios. Os doentes e seus assistentes podem comungar mesmo que tenham tomado algo na hora imediatamente anterior.

Quando se recebe a primeira comunhão?

A primeira comunhão pode ser recebida quando se começa a ter uso da razão, o que se supõe a partir dos sete anos; tendo recebido previamente a preparação oportuna e o sacramento da penitência.

Que pecado comete quem comunga em pecado mortal?

Quem comunga em pecado mortal comete um grave pecado chamado sacrilégio.

O que deve fazer quem deseja comungar e encontra-se em pecado mortal?

Quem deseja comungar e encontra-se em pecado mortal não pode receber a Comunhão sem recorrer antes ao sacramento da Penitência, pois para comungar não basta o ato de contrição.

Podem comungar os divorciados que voltaram a casar?

Os membros da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma carta a todos os bispos do mundo datada de 14 de outubro de 1994 diz :

"A crença errônea que tem uma pessoa divorciada e novamente casada, de poder receber a Eucaristia normalmente, presume que a consciência pessoal é levada em conta na análise final, de que, baseado em suas próprias convicções existiu ou não existiu um matrimônio anterior e o valor de uma nova união. Esta posição é inaceitável. O matrimônio, de fato, porque é a imagem da relação de Cristo e sua Igreja assim como um fator importante na vida da sociedade civil, é basicamente uma realidade pública."

Com este documento a Santa Sede afirma a contínua teologia e disciplina da Igreja Católica, de que aqueles que se divorciaram e voltaram a casar sem um Decreto de Nulidade, para o primeiro matrimônio (indistintamente se foi realizado dentro ou fora da Igreja), se encontra em uma relação de adultério, que não lhe permite arrender-se honestamente, para receber a absolvição de seus pecados e receber a Santa Comunhão. Até que se resolva a irregularidade matrimonial pelo Tribunal dos Processos Matrimoniais, ou outros procedimentos que se aplicam aos matrimônios dos não batizados, não podem aproximar-se aos Sacramentos da Penitênica nem à Eucaristia-.

Como menciona o Papa João Paulo II no documento da Reconciliação e a Eucaristia, a Igreja deseja que estes casais participem da vida da Igreja até onde lhes forem possível (e esta participação na Missa, adoração Eucarística, devoções eoutros serão de grande ajuda espiritual para eles) enquanto trabalham para conseguir a completa participação sacramental.

Só poderiam comungar se, evitado o escândalo e recebida a absolvisão sacramental, se comprometam a viver em plena continência, disse a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.

No discurso do Papa João Paulo II no encerramento do Sínodo celebrado em Roma em outubro de 1980, disse que a Igreja deveria mante a de não admitir à comunhão eucarística ao divorciados que voltaram a casar. A não ser quando não possam se separar, prometam viver em total continência, sempre que não seja motivo de escândalo. Em todo caso, acrescenta o Papa, devem perseverar na oração para conseguir a graça da conversão e da salvação. Entretanto isto não acarreta que não possam batizar a seus filhos. Deve-se estudar cada caso e ver que possibilidades oferecem de educar na fé católica a seus filhos.

Por outro lado as pessoas casadas só no civil e divorciadas podem comungar. O divórcio civil não é um obstáculo para receber a comunhão. Por ser um ato civil, tudo o que faz, é conseguir um acordo sobre o resultados civis e legais do matrimônio (distribuição das propriedades, custódia dos filhos, etc).

Fonte: http://www.acidigital.com/catecismo/eucaristia.htm

terça-feira, 24 de junho de 2014

História da Solenidade de Corpus Christi


No final do século  XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a  Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do  Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus apra propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liège, Bélgica em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja, mais tarde o Papa Urbano IV.

O bispo  Roberto focou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou, que um monge de nome  João escrevesse o  ofício para essa ocasião. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ser a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa  da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costume e a o estendeu por toda a atual Alemanha.

O Papa Urbano IV, naquela época, tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está  Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a  Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais -onde se apoia o cálice e a patena durante a Missa- em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes  e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o ofício.

Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um ofício -a liturgia das horas- a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boaventura foi rasgando o seu em pedaços.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do  decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o  Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de  Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis -por João XXII- e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o  Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Fonte: AciDigital

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Papa na audiência geral: é muito importante ir à Missa ao Domingo; a Eucaristia é salvação


5 de fevereiro de 2014
O Papa na audiência geral: é muito importante ir à Missa ao Domingo; a Eucaristia é salvação

Roma acordou com frio e chuva nesta quarta-feira para a audiência geral na Praça de São Pedro na qual o Papa Francisco desenvolveu uma catequese sobre a Eucaristia:

“A Eucaristia coloca-se no coração da iniciação cristã, juntamente com o Batismo e a Confirmação e constitui a fonte da própria vida da Igreja. Deste Sacramento do amor parte cada autêntico caminho de fé, de comunhão e de testemunho”.

Segundo o Papa Francisco, na Igreja todo o caminho autêntico de fé, comunhão e testemunho parte do sacramento da Eucaristia. A palavra “Eucaristia” significa agradecimento – continuou o Santo Padre – porque, nela, está presente e perdura o gesto mais sublime de ação de graças que alguma vez se elevou da humanidade ao Pai pela sua misericórdia e o seu amor.

“Palavra e Pão na Missa, tornam-se num só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que tinha feito, condensaram-se no gesto de partir o pão e oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz com aquelas palavras «Tomai e comei: Isto é o meu corpo (…). Tomai e bebei: Este é o cálice do meu sangue”.

Com aquele gesto – continuou o Papa Francisco – o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor e, deste modo, renova o nosso coração, a nossa vida e o nosso modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.

“Assim, a celebração eucarística é bem mais que um simples banquete: é o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério central da salvação. Memorial não significa só recordação, mas quer dizer que cada vez que celebramos este sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo”.

Por isso, quando nos abeiramos deste sacramento – continuou o Papa Francisco – é costume dizer-se que vamos «receber a Comunhão»: na verdade, pela graça e virtude do Espírito Santo, esta participação na Mesa Eucarística configura-nos de forma tão profunda com Cristo que nos faz saborear desde já aquela comunhão plena com o Pai que se vive no banquete do Céu.

O Papa Francisco no final da sua catequese convidou todos os cristãos a participarem na missa dominical não só para rezar mas também para receber a comunhão, este pão que é o Corpo de Jesus Cristo. Afirmou ainda que todas as crianças devem fazer a comunhão e prepararem-se bem para esse sacramento.

No final da audiência o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, desejando-vos que cresçais sempre mais no amor e na adoração da Eucaristia, para que este Sacramento possa continuar a plasmar as vossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. De bom grado vos abençoo a vós e aos vossos entes queridos!”

Durante as saudações em língua italiana o Papa Francisco, invocando as virtudes heróicas de Santa Ágata, virgem e mártir, dirigiu-se aos jovens, exortando-os a compreenderem a importância da pureza e da virgindade; aos doentes encorajando-os a aceitarem a cruz em união espiritual com o coração de Cristo e ainda aos jovens noivos para que compreendam cada vez melhor o papel da mulher na vida familiar.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção! (RS).

Fonte:Rádio Vaticano

domingo, 9 de junho de 2013

Santa Imelda Lambertini e a Primeira Eucaristia


Imelda é a patrona das crianças que se preparam para receber a Primeira Comunhão.

Mas, oque isso significa?

Significa que no Céu, ela ora para que as crianças sintam alegria e muito amor ao receberem Jesus na Eucaristia.

Aos 9 anos de idade Imelda morava no Convento das Irmãs dominicanas. Ela quis morar na mesma casa que Jesus, é que no convento havia uma capela com o Santíssimo Sacramento.

Ela queria muito receber a Santa Comunhão. Nessa época, as crianças não podiam receber a Primeira Comunhão com idade inferior a 12 anos. Ela disse às Irmãs: “Eu não sei porque as pessoas que recebem Nosso Senhor não morrem de alegria”.

Porém, à medida que o tempo passava, crescia mais e mais nela o desejo de receber Jesus Sacramentado. No ano de 1333, tinha ela completado 11 anos de idade quando, depois da Santa Missa, a última freira que saiu da capela observou que a pequena Imelda, como de costume, lá permaneceu sozinha rezando mais um pouco, ela disse à Jesus: “Meu Jesus, dizem-me que, pelo fato de ser criança, não posso ainda comungar… Mas Vós mesmo dissestes: “Deixai vir a Mim os pequeninos”. Eis que Vos peço, Senhor, vinde a mim!”. Foi então que aconteceu um milagre Eucarístico.

Alegria não mata, mas no caso da nossa amiga de hoje não foi assim: Imelda foi uma menina que morreu de alegria.

Foi na beatificação de Imelda que o Papa Leão XII declarou que as crianças menores de 12 anos podem receber a Primeira Comunhão.

Até hoje, seu pequeno corpo se encontra intacto, depois de mais de 670 anos, numa redoma de cristal, na Igreja de São Sigismondo, em Bolonha. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Eis que estou convosco até o fim

Este é meu corpo toma e comei
Este é meu sangue
Toma e bebei
Revesti-vos de minha força
Estejais em mim
Eis que estou convosco até o fim

Jesus Eucaristico: o Pão da Vida


EIS QUE SOU O PÃO DA VIDA, EIS QUE SOU O PÃO DO CÉU FAÇO-ME VOSSA COMIDA, 
EU SOU MAIS QUE LEITE E MEL.

A Eucaristia nos faz Igreja


Vinde, ó irmãos, adorar,
Vinde adorar o Senhor
A Eucaristia nos faz Igreja, 
Comunidade de amor

Eis o pão que os anjos comem

Eis o pão que os anjos comem
Transformado em pão do homem
Só os filhos o consomem
Pão pra alma que tem fome
Aos mortais dando comida dais também o pão da vida
Que a família assim nutrida seja um dia reunida lá no céu.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Eucaristia:centro da vida da Igreja

Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar
           
Glória a Jesus na hóstia santa
Que se consagra sobre o altar

Senhor quando te vejo no Sacramento da Comunhão
Sinto o Céu se abrir e uma luz a me atingir

Eu quisera, jesus adorado, Teu sacrário de amor rodear

Maria da Eucaristia

     

 Quanta alegria a de Maria
Receber Jesus na Eucaristia.
O corpo do Filho que um dia ela gerou,
Foi ela quem primeiro O comungou.



A primeira que comungou foi a Virgem Maria
A primeira que recebeu Jesus no coração
Mãe capela do Santíssimo morada do Senhor
Expõe para nós teu filho

Corpus Christi - Terra, exulta de alegria - Sequencia Corpus Christi


A Solenidade de "Corpus Christi"


Nesta quinta-feira, celebra-se a solenidade de “Corpus Christi”. De tradição antiqüíssima, esta festa, comemorada de modo solene e pública, manifesta a centralidade da Santa Eucaristia, sacramento do Corpo e Sangue de Cristo: o mistério instituído na última Ceia e comemorado todos os anos na Quinta-Feira Santa, após a solenidade da Santíssima Trindade.

Neste dia, manifesta-se a todos, circundado pelo fervor de fé e de devoção da comunidade de todos os batizados, o Mistério de Amor que nos foi legado por Cristo, para memorial eterno de sua Paixão. A Eucaristia, realmente, é o maior tesouro da Igreja, a preciosa herança que o Senhor Jesus lhe deixou. E, assim, a Igreja conserva a Eucaristia com o máximo empenho e cuidado, celebrando-a diariamente na Santa Missa, bem como adorando-a nas igrejas e nas capelas, levando-a como viático aos doentes que partem para a vida eterna.


A Eucaristia transcende a Igreja: Ela é o Senhor que se doa “pela vida do mundo” (Jo 6,51). Ontem, hoje e sempre, em todos os tempos e lugares, Jesus quer encontrar o homem e levar-lhe a vida de Deus. Por isso, a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo constituiu o princípio da divinização da mesma criação. Nasce, deste modo, o gesto sugestivo e oportuno de levar Jesus em procissão pelas ruas e estradas de nossas cidades e comunidades. Levando a Santíssima Eucaristia pelas vias públicas, queremos imergir o Pão que desceu do céu na vida quotidiana da nossa vida; queremos que Jesus caminhe onde nós caminhamos, que viva onde nós vivemos.

O nosso mundo, as nossas existências devem tornar-se templo da Eucaristia. Somos conclamados a viver em santidade. Na intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em corpo, sangue, alma e divindade nas sagradas espécies de pão e vinho, seremos testemunhas vivas de seu amor, de sua misericórdia, a partir do momento em que vivermos por ele e com ele, sendo luz do mundo e sal da terra. Com grande entusiasmo, este momento sagrado, em que Cristo Eucarístico passa pelas ruas de nossa cidade a nos abençoar, somos soldados perfilados fazendo sua guarda de honra, somos crentes convictos da fé que professamos, fazendo-o publicamente, somos filhos amados por Deus que desejamos, mais e mais, viver mais unidos a Ele, tanto na participação da Eucaristia, quanto na vida exemplar de lídimos cristãos.



Neste dia santo, a Eucaristia é tudo para ela, é a sua própria vida, a fonte do amor que vence a morte. Da comunhão com Cristo Eucaristia brota a caridade que transforma a nossa existência e ampara-nos no caminho rumo à Pátria Celeste.

Neste préstito solene que se forma nesta solenidade tão cara à vida espiritual da Igreja, Cristo ressuscitado percorre os caminhos da humanidade e continua a oferecer a sua “carne” aos homens, como autêntico “pão da vida” (Jo 6,48,51). Hoje “esta linguagem é dura” (Jo 6, 50) para a inteligência humana, que permanecem como que esmagadas pelo mistério. Para explorar as fascinantes profundidades desta presença de Cristo sob os “sinais” do pão e do vinho, é necessária a fé, ou melhor, é necessária a fé vivificada pelo amor. Só aquele que acredita e ama pode compreender alguma coisa deste inefável mistério, graças ao qual Deus se faz próximo da nossa pequenez, procura a nossa enfermidade, revela-se por aquilo que é infinito, o amor que salva.

Precisamente por isso, a Eucaristia é o centro palpitante da comunidade. Desde o início, na primitiva comunidade de Jerusalém, os cristãos reuniam-se no Dia do Senhor (
Dies Domini) para renovar na Santa Missa o memorial da morte e ressurreição de Cristo. O domingo é o dia do repouso e do louvor, mas sem Eucaristia perde-se o seu verdadeiro significado.



Celebrando
 Corpus Christi, queremos renovar nosso autêntico compromisso de batizados, um compromisso pastoral prioritário da revalorização do domingo e, com ela, da celebração eucarística: “um compromisso irrenunciável, abraçado não só para obedecer a um preceito, mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente” (João Paulo II, “Novo Millennio Ineunte”, 36).

Adorando a Eucaristia, não podemos deixar de pensar com reconhecimento na Virgem Maria. Sugere-o o célebre hino eucarístico que cantamos muitas vezes: “Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine” (“Ave, ó verdadeiro Corpo, nascido da Virgem Maria). Peçamos hoje à Mãe do Senhor que todos os homens possam saborear a doçura da comunhão com Jesus e tornar-se, graças ao pão de vida eterna, participantes do seu mistério de salvação e de santidade.

Por: Padre Wagner Augusto Portugal



História da Solenidade de Corpus Christi


No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124 pelo Bispo Albero. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante sua elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines, perto de Liège, Bélgica, em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinianas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses, em Fosses, e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que ela teve da Igreja, sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.
Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, a Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos, e a Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácono de Lieja e mais tarde Papa Urbano IV.


O bispo ficou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, convocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte. Ao mesmo tempo, o Papa ordenou que um monge, de nome João, escrevesse o ofício para essa ocasião. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ver a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte na quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu esse costume e o estendeu por toda a atual Alemanha.
Naquela época, o Papa Urbano IV tinha sua corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto dessa localidade fica a cidade de Bolsena, onde em 1263 (ou 1264) aconteceu o famoso Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração da hóstia fosse algo real. No momento de partir a Sagrada Hóstia, viu sair dela sangue, que empapou o corporal (pequeno pano onde se apóiam o cálice e a patena durante a Missa). A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conserva o corporal, em Orvieto, onde também se pode ver a pedra do altar de Bolsena, manchada de sangue.
O Santo Padre, movido pelo prodígio, e por petição de vários bispos, fez com que a festa do Corpus Christi se estendesse por toda a Igreja por meio da bula “Transiturus”, de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes, e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o ofício nesse dia.
Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou de escrever um ofício – o texto da liturgia – a São Boa-ventura e também a Santo Tomás de Aquino. Quando o Pontífice começou a ler, em voz alta, o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura o achou tão bom que foi rasgando o seu em pedaços, para não concorrer com o de São Tomás de Aquino.
A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 foi promulgada uma recompilação das leis – por João XXII – e assim a festa foi estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida, a partir da Bélgica, entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.
Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declarou que, muito piedosa e religiosamente, foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, em determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Dessa forma, os cristãos expressam sua gratidão por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.


terça-feira, 16 de abril de 2013

"Eu sou o pão da vida"


Naquele tempo, a multidão perguntou a Jesus: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” [João 6,30-35]




Eu Sou O Pão do Céu/  Padre Marcelo Rossi / Compositor: Ítalo Villar

Eu sou o Pão da vida, O pão do Céu
Eu sou o rei dos reis, o Salvador
Eu sou o Cristo, o Filho do Deus vivo
me dei por vós, só por amor

Este é meu corpo, Tomai e Comei
Este é meu Sangue, Tomai e Bebei
Revestí-vos de minha força
Estejais em mim
Eis que estou convosco até o fim

Eu venci o mundo, Vos livrei do mal
Tomei vossos pecados, deixei lá na cruz
Vos livrei da morte, tomei vossa dor
venha, tenha coragem, eu sou o Senhor

Este é meu corpo, Tomai e Comei
Este é meu Sangue, Tomai e Bebei
Revestí-vos de minha força
Estejais em mim
Eis que estou convosco até o fim

Este é meu corpo, Tomai e Comei
Este é meu Sangue, Tomai e Bebei
Revestí-vos de minha força
Estejais em mim
Eis que estou convosco até o fim

Eis que sou o pão da vida


1. Todo aquele que comer do meu corpo que é doado, 
Todo aquele que beber do meu sangue derramado. 
E crê nas minhas palavras que são plenas de vida, 
Nunca mais sentirá fome e nem sede em sua lida. 

Refrão: 

Eis que sou o Pão da Vida 
Eis que sou o Pão do céu; 
Faço-me vossa com comida, 
Eu sou mais que leite e mel. 

2. O meu Corpo e meu Sangue são sublimes alimentos, 
Do fraco indigente é vigor, do faminto é o sustento. 
Do aflito é consolo, do enfermo é a unção, 
Do pequeno e excluído, rocha viva e proteção. 

3. Eu sou o Caminho, a Vida, Água Viva e a Verdade, 
Sou a paz e a luz, sou a própria liberdade. 
Sou a Palavra do Pai que entre vós habitou, 
Para que vós habiteis na Trindade onde estou. 

4. Eu sou a Palavra Viva que sai da boca de Deus, 
Sou a lâmpada para guiar vossos passos, irmãos meus. 
Sou o rio, eu sou a ponte, sou a brisa que afaga, 
Sou a água, sou a fonte, fogo que não se apaga.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Bento XVI explica a Eucaristia às crianças




Encontro do Papa Bento XVI com mais de cem mil crianças da primeira Comunhão, 15-10-2005:
Damos algumas das perguntas das crianças e as respostas do Papa
André: Querido Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?

Recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim. E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim. E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: "Gostaria de estar sempre contigo" e pedi-lhe: "Mas, sobretudo permanece comigo". E assim fui em frente na minha vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos. Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna boa.

André: A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não O vejo!

Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais. Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc... Assim também não vemos, por exemplo, a corrente eléctrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes. Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A electricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante. Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc... Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem. 
                                 


Júlia: Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?

Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer. Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida. Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade. Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: "Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família".

Alexandre: Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?

Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas. E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida. Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva. Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão. É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade. 
                                 

                    

Ana: Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: "Eu sou o pão da vida"?

Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento. E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude. E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se. E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente. Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.


                         

Adriano: Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado.

Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus. Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração. Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, adorar é dizer: "Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo". Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: "Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo".

Lívia: Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos.
Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado "mortal", isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto. O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida. 

No fim do Encontro o Santo Padre dirigiu estas palavras:

Queridos meninos e meninas, irmãos e irmãs, no fim deste belo encontro, só mais uma palavra: obrigado.

Obrigado por esta festa de fé.

Obrigado por este encontro entre nós e com Jesus.

E obrigado, é claro, a quantos fizeram com que esta festa fosse possível: os catequistas, os sacerdotes, as religiosas, a todos vós.

Repito no final, as palavras do início de todas as liturgias e digo-vos: "A paz esteja convosco", isto é, o Senhor esteja convosco e, assim, a vida seja boa. Bom domingo, boa noite e até à próxima com o Senhor. Muito obrigado! 

Roma, 15 de Outubro de 2005

Fonte: http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/bento-xvi-explica-a-eucaristia-aos-meninos

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Missas com crianças

















2. Missas com crianças

Se à catequese compete aproximar as crianças da Eucaristia, é fundamental também o esforço de aproximar a celebração da Eucaristia das crianças, com escolhas e opções que as ajudem a celebrar melhor, de forma mais plena. Falemos, pois, das “Missas com crianças”.

É fundamental ter bem claras as ideias, quando se fala de “Missas com crianças”. E eventualmente corrigir princípios errados, que nos afastam do mais importante, que é permitir às crianças uma verdadeira iniciação à vivência da Eucaristia.

Adaptar a celebração às crianças não é nunca infantilizar a celebração. A Eucaristia não é nunca uma “brincadeira de crianças”; pelo que, mesmo para as crianças, deve ser momento de encontro com Deus e de encontro festivo com os outros para louvar e agradecer... Tem é que ter em conta os níveis de fé das crianças e as suas capacidades cognitivas.

Além disso, falamos de “Missa com crianças” e não de “Missa para crianças” ou “Missa de crianças”. Nada disto é inocente! Não há Missas para crianças ou de crianças! Há Missas com crianças!

– Significa que há sempre adultos nestas celebrações e que estes têm um papel fundamental para a participação das crianças. Não estão lá para fazer celebrar as crianças, nem para as entreter; não são assistentes, mas pessoas que “participam verdadeiramente na Missa como membros de uma assembleia de oração” e que “ajudam as crianças tanto quanto seja necessário” (Directório, n.º 24). Aos adultos presentes é pedido, sobretudo, que celebrem e participem realmente. A autenticidade da sua participação é a melhor ajuda, pois as crianças percebem intuitivamente se a pessoas está ou não a fazer algo com sinceridade e autenticidade, ou não...

– O ideal, tendo em conta o que disse logo no início, é que as crianças participem na Eucaristia acompanhadas pelos pais. A excepção é uma celebração com crianças num grupo pequeno, em dias da semana (não ao Domingo). A ausência dos pais e um grupo grande de crianças torna a celebração um calvário para os adultos presentes (nomeadamente os catequistas e o padre que preside) e para as próprias crianças... Por isso, estas celebrações são pensadas para pequenos grupos. “Sempre que o número de crianças que celebram conjuntamente a Eucaristia for muito grande (...) formem-se vários grupos constituídos não de forma rígida segundo a idade, mas tendo em atenção o progresso da formação religiosa e a preparação catequética” (Directório, n.º 28).

– O objectivo das Missas com crianças é só e sempre ajudar as crianças a participar na celebração eucarística da comunidade cristã! O Directório para as Missas com crianças prevê que a participação das crianças na Eucaristia se possa fazer de diversos modos: 1. Na celebração comunitária, sobretudo aos Domingos; 2. Em celebrações especiais pensadas especificamente para as crianças, com poucos adultos, sobretudo nos dias feriais. Esta segunda possibilidade é provisória e pedagógica: visa iniciar as crianças, para poderem celebrar com toda a comunidade cristã a que pertencem. Neste sentido, as Missas com crianças podem ter efeitos perversos: criar nas crianças a ideia de que aquela é a sua Eucaristia, uma coisa de crianças, portanto, que se abandonará quando se crescer; nessas condições, em vez de iniciar à Eucaristia de toda a comunidade, incapacita-as de nela participar... Se a comunidade for viva e participativa, e se a celebração for festiva, se na celebração se tiver em conta a presença das crianças, facilmente as crianças se sentirão envolvidas e motivadas. Se a criança vir os adultos, nomeadamente os pais e catequistas, a cantar, escutar, rezar, comungar, está feita a melhor e mais necessária iniciação à Eucaristia. Quando parece oportuna a opção por Missas com crianças em pequeno grupo, é imprescindível manter o contacto com a celebração da comunidade cristã. Perder de vista o objectivo das Missas com crianças significa inviabilizar a sua capacidade de ser iniciação e poderá levar-nos precisamente ao que queremos evitar: o afastamento e desafeição das crianças (adolescentes e jovens) da celebração eucarística. É claro que isto implica a comunidade cristã e responsabiliza-a (e faltam-nos essas comunidades cristãs...). Contudo, tentar prescindir desse contributo fundamental é tentar “fazer omeletes sem ovos”; e pedir à catequese e à Eucaristia que tentem remediar o que delas não depende e que lhes não compete... Não se peça à catequese o que aos pais e à comunidade compete. Nem se peça à celebração eucarística o que à catequese compete!

Olhemos então para o que nos diz o Directório das Missas com Crianças. Este documento distingue as “Missas de adultos nas quais também participam crianças” e as “Missas com crianças em que participam só alguns adultos”. Esta distinção é muito importante. Vejamos cada uma destas situações.

A.) Missas de adultos nas quais também participam crianças (capítulo II). “Em muitas localidades, sobretudo aos Domingos e dias santos, celebram-se missas paroquiais em que participam algumas crianças com grande número de adultos” (n.º 16: EDREL 2776). Esta é a situação da maior parte das nossas missas dominicais: porque a catequese a antecede ou a precede, as celebrações eucarísticas dominicais contam com a presença de um número significativo de crianças. Não é a situação típica das chamadas missas com crianças. “No entanto, nas missas deste género, deve evitar-se cuidadosamente que as crianças se sintam desprezadas pela sua incapacidade de participar e compreender o que se faz e o que se proclama” (n.º 17: EDREL 2776). O que fazer, então, para que as crianças não se sintam a mais? O Directório faz algumas sugestões:
– que as admonições interpelem directamente as crianças;
– que o presidente se dirija directamente a elas na homilia;
– que elas exerçam alguma actividade, como levar os dons ao altar ou cantar um cântico;
– há ainda a possibilidade de celebrar a Liturgia da Palavra com as crianças, num lugar diferente do da assembleia adulta, juntando-se todos, de novo, para a Liturgia Eucarística;
– podem ainda fazer-se algumas adaptações, pensadas para as Missas com crianças, descritas no capítulo seguinte.

B.) Missas com crianças em que participam só alguns adultos (capítulo III). “Além das missas em que as crianças participam com os pais e outras pessoas de família, (...) recomenda-se, sobretudo durante a semana, celebrar algumas missas só para crianças, participando nelas apenas um pequeno número de adultos” (n.º 20: EDREL 2779). Trata-se de pequenos grupos de crianças (cf. n.º 28: EDREL 2787). Estas celebrações podem ser da máxima importância para uma autêntica participação das crianças na Eucaristia, nomeadamente na Eucaristia dominical da comunidade cristã. No entanto, é importante nunca perder de vista o objectivo final desta prática: “Tenha-se sempre presente que tais celebrações eucarísticas devem orientar as crianças para as missas de adultos, sobretudo aquelas em que a comunidade cristã se deve reunir ao Domingo” (n.º 21: EDREL 2780).

– Funções e ministérios. Na Eucaristia, é fundamental que as crianças participem activamente e se sintam protagonistas e actores daquilo que se está a realizar. Contudo, mais uma vez, é preciso clarificar: participação activa não é estar sempre a mexer! Participar é rezar, escutar, cantar, dar graças, oferecer, comer, comprometer-se, fazer silêncio... As atitudes interiores são o mais importante. Não se entenda por participação activa fazer com que todas as crianças tenham algum ofício específico. Contudo, há um conjunto de funções que as crianças podem desempenhar, como seja a preparação do lugar da celebração, cantar como solistas ou em coro, tocar um instrumento, ler uma leitura (desde que seja narrativa ou facilmente compreensível), responder durante a homilia, ler as preces da oração universal, levar os dons ao altar... É possível também inserir aditamentos na celebração: o Directório dá um exemplo (n.º 22), que infelizmente é sistematicamente ignorado: preparar alguns motivos de acção de graças antes do sacerdote começar o diálogo do prefácio (normalmente faz-se isto no fim da comunhão, em vez de se fazer no lugar próprio, o prefácio, que é clara e declaradamente acção de graças...).

– Particular responsabilidade cabe ao presidente da celebração: deve ter “a preocupação de tornar a celebração festiva, fraterna, meditativa” (n.º 23), mais ainda do que nas celebrações em que só estão adultos; “deverá exprimir-se de maneira a ser facilmente compreendido, mas evitando uma linguagem demasiado infantil” (n.º 23). É sobretudo ao Presidente que cabe motivar as crianças para as diversas atitudes e formas de participação, no decorrer da celebração. E aqui há uma permanente tentação para o padre que preside a uma Missa com crianças: quando se percebe a impaciência das crianças, tende-se a abreviar o tempo da celebração, rezando a correr as orações... Nada de mais errado pedagogicamente: essa pressa impossibilita a atenção das crianças e elas “desligam”. Por isso, recomenda o Directório: “Deve procurar-se que os textos litúrgicos sejam pronunciados sem pressa e de forma inteligível, fazendo as pausas necessárias” (n.º 37).

– Os adultos presentes ajudam as crianças a participar activa e correctamente, antes de mais pelo seu testemunho. Mas não só. Podem prepara admonições, que devem contudo evitar a tentação de explicar tudo, tornando-se um discurso deslocado. A este propósito, algumas admonições que acompanham símbolos são o exemplo do que se deve evitar: não se trata de explicar o símbolo (nada melhor para o “matar”, pois se reduz a um mero sinal), mas de torná-lo significativo...

Elementos a valorizar especialmente:

* Preparação da celebração. “Qualquer celebração eucarística com crianças, seja preparada cuidadosamente e em devido tempo, sobretudo no que diz respeito às orações, cânticos, leituras, intenções da oração universal, reunindo as opiniões dos adultos e das crianças que desempenham um ministério específico nessas Missas” (n.º 29). Empenhar as crianças na preparação do lugar e das coisas necessárias à celebração (o que dá bem mais trabalho do que se for o sacristão a fazê-lo sozinho...), bem como na redacção das intenções da oração universal, admonições, etc.

* Gestos. Toda a liturgia é um “fazer” e não um “dizer”. Pelo que é particularmente importante e significativo valorizar os gestos e atitudes corporais. Valorizar as procissões e movimentos, inserindo crianças na procissão de entrada, na procissão com o Evangeliário, na procissão com os dons; por vezes, propor às crianças um gesto concreto, ou o associar-se a um gesto do presidente, como por exemplo, rezar o Pai-Nosso de mão erguidas (mas com cuidado e muito discernimento...).

* Elementos visuais. Ao longo do ano litúrgico, há uma série de elementos visuais que é importante valorizar: o círio pascal, no tempo pascal; a cruz na semana da paixão, as vestes litúrgicas, etc. É claro que aqui põe-se o problema da riqueza ou pobreza dos nossas igrejas: pedagogicamente, é importantíssimo o programa iconográfico, a qualidade e beleza das imagens, uma criteriosa ornamentação floral (já para não falar da indispensável limpeza e arrumação do lugar). Além destes elementos, podem inserir-se outros elementos visuais. Uma das propostas do Directório é o “emprego de imagens preparadas pelas próprias crianças” (n.º 36) para ilustrar a homilia, para realçar as intenções da oração universal, para inspirar a meditação.

* Silêncio. É significativo o cuidado do Directório em sublinhar a importância do silêncio nas Missas com crianças, como parte integrante da celebração, “pois mesmo as crianças são capazes, à sua maneira, de meditar” (n.º 37). É claro que o silêncio é sempre difícil, mesmo para adultos. Por isso, as crianças têm de ser motivadas ao silêncio, de forma gradual e progressiva, valorizando momentos como o tempo depois da homilia ou depois da comunhão.

As várias partes da Missa

Vejamos, agora, a Missa parte por parte, vendo as adaptações possíveis ou desejáveis, no sentido de aproximar a Eucaristia das crianças.

Antes de mais não são adaptáveis ou substituíveis as aclamações da assembleia e as respostas do povo ou a oração do Pai-Nosso, para que as crianças aprendam as intervenções na Missa da comunidade (n.º 39). Também a estrutura da celebração, nas suas linhas gerais, se mantém sempre inalterável. Contudo, há muitos elementos adaptáveis, e uma grande margem para escolha de opções diversas, que possam ajudar as crianças a participar melhor na Eucaristia.

a) Ritos iniciais (n.º 40). Os ritos iniciais têm carácter introdutório, visam prepara a assembleia para a celebração. Como é uma parte da celebração caracterizada por uma pluralidade de ritos, é permitido omitir alguns desses ritos nas Missas com crianças. Deve manter-se sempre a introdução à celebração e a oração colecta. Os outros elementos (acto penitencial, Kyrie, Glória) devem ser trabalhados, escolhendo e valorizando apenas um deles e deixando cair os outros. Contudo, adverte o Directório, não se deve omitir sempre o mesmo elemento, dando a impressão às crianças de que não tem valor.

b) Liturgia da Palavra (n.º 41-49). Uma vez que as leituras constituem “a parte principal da liturgia da Palavra”, mesmo nas Missas com crianças nunca podem faltar. Há contudo uma grande liberdade de opção:

– Nos Domingos e solenidades, em vez das 3 leituras, podem fazer-se apenas duas ou até, excepcionalmente, apenas uma. Contudo, nunca pode ser omitida a proclamação do Evangelho. E na escolha da leitura que omite, deve ter-se sempre em conta os critérios de escolha das leituras, que estão na base do leccionário. Por exemplo, a 1ª leitura é normalmente escolhida em função do Evangelho e o Salmo Responsorial depende da primeira leitura. Se se omite a primeira leitura, não se pode usar o Salmo do dia ou um cântico que vá no mesmo sentido, pois desapareceu a leitura que o justificava; o normal será, contudo, omitir a 2ª leitura, sem ligação com as restantes.

– Se nenhuma das leituras do dia parecer oportuna para a compreensão das crianças, podem escolher-se outras mais adequadas, mas respeitando o sentido da festa ou do tempo litúrgico.

– Na selecção das leituras, deve ter-se em conta o tipo de texto e o género literário. Uma leitura de conteúdo mais teológico terá de ser muito breve; uma leitura narrativa poderá ser bem mais longa.

– Respeito pela Palavra de Deus: implica proclamar o texto litúrgico, em tradução aprovada, sem paráfrases; não mutilar o texto bíblico, a não ser que se julgue de facto muito importante suprir parte de um texto, que traria dificuldade às crianças. Nunca substituir textos bíblicos por outros textos (é ser-se demasiado pretensioso...), nem usar textos não bíblicos no meio das leituras, o que criaria confusão nas crianças.

– O Salmo deve ser escolhido, tendo em conta a capacidade das crianças e as leituras proclamadas. Pode, eventualmente, escolher-se um outro cântico, mesmo não sendo um Salmo bíblico. É de grande importância a participação das crianças pelo canto, quer no Salmo, quer na Aclamação ao Evangelho. No caso de se escolher apenas o Evangelho como única leitura, pode cantar-se um cântico depois do Evangelho.

– As admonições podem ser uma ajuda de excepcional valor para a compreensão das leituras, desde que sejam bem feitas: breves, interpelativas, motivando para a escuta (e não dizendo já, por outras palavras, o que diz a leitura, nem enveredando por discursos moralistas).

– Pode ser de grande ajuda, quando a leitura a isso se presta, distribuir as várias personagens pelas crianças, como se faz na leitura da Paixão, na Semana Santa. Contudo, isto não significa encenar as leituras. A encenação não tem lugar na celebração! Primeiro, porque a encenação é já uma interpretação, restritiva, da Palavra de Deus. Depois, porque a Palavra, fundamental no cristianismo, se destina à escuta, não à visualização.

– Lugar de destaque merece a homilia. Esta pode ser feita dialogando com as crianças, que é um modo de as envolver directamente e de prender a sua atenção. Mas este é apenas um modo, entre muitos. Pode fazer-se a homilia em estilo narrativo, se aquele que a faz tem uma particular apetência para a narração (um bom “contador de histórias” consegue sempre prender a atenção das crianças). A homilia pode fazer-se pela via da visualização, utilizando desenhos feitos pelas crianças ou outros, cartazes, ou outros meios visuais (“slides”, projectores, eventualmente vídeo). O melhor será alternar estas diversas modalidades, conforme sejam mais adequadas para a explicação vivêncial da Palavra de Deus escutada.

– Profissão de fé. Pode usar-se o credo apostólico, mais breve e menos conceptual; mas deve usar-se também o credo niceno-constantinapolitano, habitualmente usado nas assembleias dominicais. Por vezes, pode recorrer-se à forma de profissão de fé baptismal.

– Oração universal pode ser particularmente significativa, pois pode interpelar directamente as crianças, quer na preparação, quer na celebração. Claro que isso exige que, para cada celebração se prepare um formulário próprio para a oração universal...

c) Liturgia eucarística (n.º 50-54). Envolver as crianças na liturgia eucarística deve ser o esforço, motivando-as para as atitudes (exteriores e interiores) a adoptar em cada momento.

– Apresentação dos dons. As crianças são particularmente sensíveis aos símbolos. Daí que se possam envolver na procissão dos dons para o altar. Não abusar da inserção de símbolos neste momento. Os símbolos fundamentais são sempre o pão e o vinho para a eucaristia. Neste ponto, muito há a corrigir... Não tem sentido levar um pão, que fica sobre o altar, mas que não tem qualquer relação com a celebração. O pão é aquele que vai ser consagrado. Não tem qualquer sentido um símbolo de um símbolo, isto é, um pão caseiro para simbolizar o pão eucarístico... Se as partículas são pouco expressivas, por muito estilizadas, mudem-se as partículas!

– Orações presidenciais (colecta, sobre os dons e depois da comunhão). O sacerdote tem faculdade de escolher qualquer formulário do Missal Romano, desde que respeite o sentido da festa ou do tempo litúrgico, por forma a adoptar orações mais adaptadas às crianças. Se a escolha não for suficiente para tornar acessível o conteúdo da oração, podem fazer-se adaptações, desde que se respeite o género da oração e o seu sentido; se seja fiel aos conteúdos (a adaptação é da expressão, não propriamente dos conteúdos); não se insiram elementos estranhos a estas (como exortações moralizantes) ou linguagem demasiado infantil. Claro está que nunca se fazem estas adaptações durante a celebração! Será sempre um trabalho preparado previamente (a improvisação é um “cancro” a evitar sempre), que exige conhecer exactamente o específico de cada oração, a sua função própria na celebração e as características próprias da sua estrutura...

– Oração eucarística. É fundamental que toda a celebração eucarística aponte a grande oração eucarística como centro da celebração. Tranquilidade e respeito devem pautar esta parte da celebração. O presidente deve pôr particular na entoação e no modo de pronunciar a oração, cativando assim as crianças a acompanhar o desenrolar da oração. Não sendo possível às crianças a audição para cativar a sua atenção, são fundamentais as intervenções da assembleia (e por isso as orações eucarísticas para as Missas com crianças prevê várias aclamações e intervenções intercalares). Como atrás se referiu, a oração eucarística uma acção de graças, podem as crianças, antes do diálogo do prefácio, apresentar os motivos de acção de graças, a juntar aos já presentes no prefácio. Neste momento, dispomos de 3 orações eucarísticas para estas celebrações. A primeira oração eucarística é a que utiliza uma linguagem mais simples. A Segunda é recomendada pelo seu carácter mais dialogal, sendo o texto intercalado de uma série de intervenções da assembleia. A terceira destas orações é a mais rica e variada e, por isso, a mais indicada para crianças mais velhas.

– Ritos da comunhão. “Terminada a oração eucarística seguir-se-á sempre a oração dominical, a fracção do pão e o convite para a comunhão” (n.º 53). O gesto da paz, rico de significado, pode fazer-se ou não. Quanto aos “cânticos da paz”, liturgicamente não existem: neste momento, o que existe é o canto do “Cordeiro de Deus”. Apenas excepcionalmente se podem usar, numa celebração em que se sublinhe particularmente essa dimensão da paz. Mas será sempre uma excepção e algo a evitar (para não deformar, em vez de formar...). // Segue-se a Comunhão, que deverá decorrer em ambiente tranquilo, acompanhada de um cântico apropriado. Depois da comunhão, convidem-se as crianças ao silêncio orante e ajudem-se com indicações e sugestões para a sua oração pessoal. Será muito conveniente, antes da oração, um cântico de carácter festivo e jubiloso.

d) Ritos conclusivos (n.º 54). Evitem-se, o mais possível os avisos paroquiais. E tenha-se presente a recomendação do Directório: “Nas missas com crianças, a admonição que precede a bênção final é da maior importância pois elas, antes de serem despedidas, têm necessidade de que, em brevíssimas palavras, se lhes recorde e faça uma certa aplicação do que ouviram na celebração. É sobretudo neste momento que convém fazer compreender a ligação entre liturgia e vida”.

Observações finais

* Estas sugestões não são para usar todas numa única celebração... Deve fazer-se um discernimento, para cada celebração, das adaptações a adoptar. É claro que isso impõe um cuidado muito especial (e trabalhoso) de preparação.

* Uma reparação cuidadosa e pormenorizada de todos os aspectos da celebração é sempre necessária, bem como uma avaliação, feita por catequistas e sacerdote.

* Na escolha das adaptações e elementos a valorizar, ter sempre o cuidado de não impor às crianças os nossos gostos pessoais, com a desculpa de que elas gostam mais...

* Ter sempre presente a totalidade da celebração e o seu equilíbrio interno.

* No decorrer da celebração, nunca perder de vista que o ritmo é fundamental. E que o tempo da celebração nunca se pode alongar...

* As alterações implicam conhecimento do sentido e valor de cada elemento, para respeitar a sua natureza e sentido – formação litúrgica
Carlos Cabecinhas | Diocese Leiria-Fátima