Catequistas de Conquista

sábado, 7 de janeiro de 2017

Campanha da Fraternidade 2017 Tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade (CF) de 2017. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), a iniciativa alerta para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros.
Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
Ainda de acordo com o bispo, a Campanha deseja, antes de tudo, que o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. “Cultivar e guardar nasce da admiração! A beleza que toma o coração faz com que nos inclinemos com reverência diante da criação. A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.
Além de abordar a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles moram, a Campanha deseja despertar as famílias, comunidades e pessoas de boa vontade para o cuidado e o cultivo da Casa Comum. Para ajudar nas reflexões sobre a temática são propostos subsídios, sendo o texto-base o principal.
Dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, o texto-base faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões sobre os biomas e os povos originários, sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017. 

Cartaz 

Para colocar em evidência a beleza natural do país, identificando os seis biomas brasileiros, o Cartaz da CF 2017 mostra o mapa do Brasil, em imagens características de cada região. Compõem também o cenário, como personagens principais, os povos originários; os pescadores e o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, acontecido há 299 anos. Além da riqueza dos biomas, o cartaz quer expressar o alerta para os perigos da devastação em curso, além de despertar a atenção de toda a população para a criação de Deus.
Fonte:http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19709:cnbb-apresenta-texto-base-da-cfe-2017&catid=114:noticias&Itemid=106

Centenário das aparições será celebrado em 2017

Centenário das aparições será celebrado em 2017

O Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, está entre os santuários marianos mais tradicionais do mundo, com grande número de visitantes. O último levantamento, com dados referentes a 2014, aponta a visita de 5,6 milhões de peregrinos, vindos de 83 países.
A diocese de Leiria-Fátima prepara-se para celebrar, em 2017, os 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos. As aparições, aliás, deram origem ao santuário, considerado um dos mais importantes do mundo e centro de propagação da devoção mariana.
Foto de: Thiago Leon / Santuário Nacional
Entronização Aparecida_3 - Thiago Leon Santuário Nacional
Santuário português durante comemorações de Nossa
Senhora de Fátima, no dia 13 de maio
Além da parceria com o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, que permitiu a entronização da imagem de Fátima em Aparecida, em 2014, e da imagem de Aparecida em Fátima, uma série de atividades vem sendo realizada em preparação ao centenário, que será celebrado em maio de 2017.
O programa de preparação para o centenário teve início em 2010 e, desde então, tem contemplado inúmeras atividades pastorais, enfatizando cada um dos elementos fundamentais que brotam das três aparições do Anjo, em 1916, e das aparições de Nossa Senhora, entre maio e outubro de 1917.
Vários ciclos de palestras, exposições, cursos, concertos musicais, filmes já foram promovidos e continuarão acontecendo até o grande centenário, com o lema O meu Coração Imaculado conduzir-vos-á até Deus, já que o Imaculado Coração de Maria é o símbolo oficial do centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Em entrevista à Agência Ecclesia, o coordenador da Comissão Organizadora do Centenário das Aparições de Fátima (1917-2017), padre Vítor Coutinho, ressaltou que os últimos dois anos das comemorações serão enriquecidos progressivamente com um rico conjunto cultural de atividades festivas, abrangendo atividades que vão desde a música clássica, passando pela música popular, peças de teatro, dança e peregrinações específicas.
De acordo com a agência de notícias católicas ACI, o Papa Francisco deverá participar das comemorações ao centenário das aparições em Fátima, em 2017.
A informação foi divulgada pela agência no início do mês, após confirmação do bispo de Leiria-Fátima, dom Antonio Augusto dos Santos Marto. O santuário local já havia sido visitado anteriormente pelos Papas Paulo VI (1967), João Paulo II (1982) e Bento XVI (2010).
Santuário de Fátima
O Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima nasceu a partir da devoção à Virgem de Fátima. No local onde Nossa Senhora apareceu para as três crianças foi construída uma capela, hoje conhecida como Capelinha das Aparições.

Além da capela, integram o complexo do Santuário o Recinto / Esplanada do Rosário, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e colunatas, casa de retiros de Nossa Senhora do Carmo e Reitoria, casa de retiros de Nossa Senhora das Dores e albergue para doentes, praça Pio XII e Centro Pastoral Paulo VI, Basílica da Santíssima Trindade, Capela do Lausperene e a Capela da Reconciliação. 
Foto de: Thiago Leon / Santuário Nacional
Entronização Aparecida_4 - Thiago Leon Santuário Nacional
Fiéis veneram imagem de Nossa Senhora de Fátima
em celebração festiva
O projeto do Santuário foi criado pelo arquiteto holandês Gerardus Samuel van Krieken e executado por João Antunes, arquiteto português. No dia 13 de maio de 1928, foi benzida a primeira pedra pelo arcebispo de Évora, dom Manuel Mendes de Conceição Santos. A sagração aconteceu no dia 7 de outubro de 1953. No ano seguinte, o Papa Pio XII concedeu o título de basílica ao Santuário de Fátima. 
História das aparições
As aparições de Nossa Senhora em Fátima começaram no dia 13 de maio de 1917, e tiveram como protagonistas três crianças que pastoreavam um pequeno rebanho, na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém.
Lúcia de Jesus, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos, respectivamente, saíram de casa após rezar o terço para brincar nas imediações, onde construíam uma pequena casa de pedras.
Enquanto mexiam nas pedras, viram uma luz brilhante, parecida com um relâmpago. Decidiram ir embora, mas foram surpreendidos por outro clarão, que logo se transformou em uma senhora segurando um terço branco.
A Senhora disse as pastorinhos que era preciso rezar muito, convidando-os a voltar ao local durante cinco meses consecutivos, sempre no dia 13, no mesmo horário.
Elas então voltaram e, nos dias 13 de junho, julho, setembro e outubro, a Senhora apareceu novamente. No dia 19 de agosto, a aparição aconteceu em outro local.
Na última aparição, ocorrida no dia 13 de outubro, a Senhora apareceu para as crianças e um grupo de 70.000 pessoas. Ela afirmou ser a “Senhora do Rosário” e então pediu que ali fosse construída uma capela em sua honra.
Foto de: Reprodução
Pastorinhos - Reprodução
Registro dos três pastorinhos que
avistaram a Virgem Maria, em 1717
Após a aparição, o sol mudou de cor, ficando parecido com um disco de prata, e podia ser observado sem dificuldade. Além disso, girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo aproximar-se da Terra. Cumpria-se, então, o que a Virgem havia anunciado às crianças nas aparições de julho e setembro.
A Virgem de Fátima voltou a aparecer para Lúcia, que já era uma religiosa de Santa Doroteia, em 10 de dezembro de 1925, 15 de fevereiro de 1926 e na noite de 13 para 14 de junho de 1929. Nessas aparições, ela pediu a devoção dos cinco primeiros sábados, para que rezasse o terço, meditasse os mistérios do Rosário, confessassem-se e recebessem a Sagrada Comunhão, em reparação aos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria. Ela também pediu a consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração – repetindo o que já havia pedido em julho de 1917.
Anos depois, irmã Lúcia revelou que, entre abril e outubro de 1916, havia presenciado a aparição de um Anjo junto com os outros dois pastorinhos. O Anjo convidou-os à oração e à penitência.
Desde que aconteceram as aparições, o número de peregrinos em Cova da Iria só começou a aumentar. As peregrinações começaram a acontecer nos dias 13 de cada mês e foram intensificando-se, hoje ultrapassando os cinco milhões de visitas anuais.
Fonte: http://www.a12.com/editora-santuario/noticias/detalhes/centenario-das-aparicoes-sera-celebrado-em-2017

Ano Mariano para a Igreja no Brasil - 300 anos de bênçãos!

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Por misericórdia de Deus e ajudados pela sua Divina Providência, a Igreja no Brasil, caminha rumo ao tricentenário (1717 – 2017) do encontro da Imagem bendita de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, tirada das águas do Rio Paraíba do Sul nas redes de três pescadores daquela região. Entre eles estavam: Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso.
É motivo de júbilo e alegria celebrar com grande magnitude e solenidade tão distinto acontecimento em nossa pátria. A história do encontro da milagrosa Imagem de Aparecida se entrelaça com a história do Brasil, com a nossa tradição, com a nossa cultura e com nossos costumes e crença.

É um tempo favorável para contemplar Maria como modelo de fé e seguimento do Cristo.
A Igreja no Brasil está em festa! Por ocasião do Jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Ano Nacional Mariano, que dará início em 12 de outubro de 2016, Solenidade da Padroeira do Brasil, concluindo-se no dia 11 de outubro de 2017. É um tempo favorável para contemplar Maria como modelo de fé e seguimento do Cristo


Muitas dioceses e paróquias do Brasil, desde o ano de 2014, se preparam para o grande Jubileu dos 300 anos. A imagem peregrina da Senhora Aparecida percorre o nosso imenso solo brasileiro, levando a todos o amor e a misericórdia de Deus. Por onde passa a milagrosa imagem da Mãe do Redentor, o povo aclama, saúda e homenageia a sua bendita padroeira, que por sua intercessão, lança sobre a nossa Pátria inúmeros benefícios, como também, copiosas e generosas graças do Céus.
O Brasil é abençoado pela sua Rainha e Padroeira, que desde o seu Santuário Basílica, olha com misericórdia os seus filhos e filhas, que acorrem à proteção do seu manto bendito. 

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Ao contemplar a pequenina Imagem da Senhora dos brasileiros, venerada no Santuário Nacional, em Aparecida, interior paulista, mergulhamos no amor infinito de Deus, pois quis Ele nos oferecer Sua própria Mãe. Somos filhos de Maria, e com ela participamos do Plano Divino da Copiosa Redenção.
A imagem, que desde o seu trono, impera e reina como soberana Rainha dos brasileiros, foi recolhida das águas do Rio Paraíba do Sul, que quer dizer “rio inútil”, por três pescadores, na segunda quinzena de outubro de 1717, de acordo com os escritos e documentos citados pelos historiadores da época.
A pequena e singela imagem é de barro “terracota”. Ao ser recolhida pelos pescadores, não tinha cabeça, essa fora achada depois e unida ao corpo. Sua tonalidade é castanho-escuro, lembrando a cor negra dos escravos. Isso se deve pelo fato de ser retirada do fundo do rio e ainda pelo picumã das velas acesas, quando venerada pelas famílias que rezavam e pediam sua proteção.

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Ao olharmos a querida imagem da Senhora Aparecida nos deparamos com uma primeira mensagem: sinais de uma mulher grávida. Nesse detalhe podemos mergulhar no infinito amor de Deus pela humanidade, pois o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Deparamo-nos com o mistério da Encarnação de Jesus. “O Espírito Santo, que era estéril em Deus, isto é, não produzia outra pessoa divina, tornou-se fecundo em Maria” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria). Contemplamos assim o amor de Deus por cada um de nós, que no seio materno de Maria nos comunicou a primeira vinda de Jesus.

Outro aspecto apresentado pela imagem é sua cor negra. Maria se fez igual aos mais simples e humildes. Ela nos indica que a Redenção realizada por Jesus Cristo é universal, não se pode excluir ninguém, todos são filhos e filhas de Deus, vale para todas as pessoas. Somos convidados a contemplar e almejar a vida eterna, como nos ensina o Apóstolo e Evangelista João.
O leve sorriso presente na Imagem reflete o carinho e a alegria de Deus por cada um de nós.

Imagem relacionada

Muitos peregrinos, devotos e romeiros de Nossa Senhora Aparecida, acorrem ao seu Santuário Basílica, em Aparecida, cidade paulista, no Vale do Paraíba, para homenagear e render piedosa devoção a Mãe do Redentor, Mãe dos brasileiros, que confiando na sua maternal proteção e poderosa intercessão, buscam consolo em suas angustias e tribulações, refúgio nos momentos difíceis e uma verdadeira e singela devoção àquela que soube e quis fazer sempre a vontade de Deus.
Adentrar ao seu Santuário Basílica é um gesto visível e piedoso da grande devoção que os brasileiros e brasileiras têm por sua Rainha e Padroeira. São muitos os que se dirigem à capital mariana do Brasil, capital da fé e lugar de mística. Anualmente acorrem ao trono da Mãe Aparecida 12 milhões de pessoas, segundo as estatísticas oficiais do Santuário Nacional.

Photo published for Maria nunca desampara seus filhos, disse Cardeal ao recordar a Virgem Aparecida
O piedoso gesto de peregrinar ao Santuário tem as suas origens já no início da história do povo de Israel e do próprio cristianismo. Peregrinar significa colocar-se a caminho de um determinado lugar santo. Israel subia em peregrinação à Jerusalém para oferecer sacrifícios e honrar o nome de Deus no Santuário. Já Santa Helena, a mãe do Imperador Constantino, realizara, segundo os relatos atuais, a primeira peregrinação à Terra Santa, o destino foi o Santo Sepulcro.
 Peregrinar é um dos meios que nos faz pensar na conversão diária. Os cristãos caminham rumo à pátria definitiva, ou seja, a eternidade. O gesto de colocar-se em movimento é dizer que almejamos um encontro pessoal com Jesus Cristo.
Na história da Igreja vemos e numerosas peregrinações a lugares santos. Os fiéis peregrinavam à Roma, na Basílica do Apóstolo Pedro, e lá demonstravam sua veneração ao primado daquele a quem foi confiado a autoridade, sendo chefe do colégio apostólico. Daí deu-se o nome de Romeiros.
Aqui no Brasil existem muitas manifestações visíveis desse bonito e significativo gesto de peregrinar. São destinos variados e cheios de história, tradições e costumes.

Confiemos na poderosa ajuda da Mãe de Deus e nossa Mãe. Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, acolha com bondade as humildes e unânimes preces que lhe dirigimos. Confortados e esperançosos, na certeza da intercessão da nossa padroeira celestial, vivamos dia a dia, na presença de Deus, como filhos necessitados do seu amor e da sua misericórdia.
Seminarista Everton Vieira da Silva - everton@rmater.org.br
Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater - Brasília - DF
Associado da Academia Marial

Fonte:http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/ano-mariano-para-a-igreja-no-brasil-300-anos-de-bencaos

Mensagem à Igreja Católica no Brasil ANO NACIONAL MARIANO




Mensagem à Igreja Católica no Brasil
ANO NACIONAL MARIANO

Na imagem de Nossa Senhora Aparecida “há algo de perene para se aprender”.
“Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”
(Papa Francisco)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, a iniciar-se aos 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.

Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Trata-se de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).

A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus.

O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).

Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano.

A companhia e a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida nos ajude a progredir como discípulas e discípulos, missionárias e missionários de Cristo!

Brasília (DF), 1º de agosto de 2016

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília (DF)
Presidente da CNBB        

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de S. Salvador da Bahia (BA)
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB

domingo, 24 de julho de 2016

Maria: Mãe e Modelo da Igreja


Maria: Mãe e Modelo da Igreja

Uma das devoções mais belas da Igreja Católica é à Virgem Maria, Mãe de Jesus; logo, mãe de Deus encarnado. É também nossa Mãe, Mãe da Igreja.

Sendo, a “Mãe de Deus”, jamais Maria pode ser uma “mulher qualquer”; seria uma ofensa ao Criador pensar assim. Ela foi escolhida por Deus, desde toda a eternidade, para ser a Mãe do seu Filho feito homem. Ela lhe deu a carne humana, sem a participação de um homem, mas sim, por obra do Espírito Santo.

É lógico que não foi Maria quem criou o Verbo de Deus; Deus é incriado, sempre existiu por causa própria. Mas Maria, por vontade de Deus, tendo em vista a salvação nossa, se tornou verdadeiramente a Mãe de Deus humanado, como dizia São Bernardo.

No seu canto “Magnificat”, Maria disse: “Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada” (Lc 1,48b). De fato, nestes dois mil anos de Igreja, jamais ela deixou de ser proclamada bem-aventurada, glorificada e amada. A Igreja católica presta um culto adequado àquela que é a Mãe de Deus.

Maria é a filha predileta de Deus Pai, a Mãe santíssima do Filho e a Esposa do Espírito Santo. Já percebeu a intimidade que ela tem com a Santíssima Trindade? Por isso, e muito mais, que a Santa Igreja Católica venera, ama, louva e bendiz Maria, sabendo assim que está prestando um culto de glória e louvor a Seu Filho que é Deus.

Mas Maria não é uma deusa, não pertence a Trindade divina. Toda a Tradição da Igreja, desde o primeiro século, fala abundantemente de Nossa Senhora; razão pela qual lhe presta um culto especial, a “hiperdulia”, que significa “grande admiração, veneração”, que é diferente de “idolatria”, que significa “adoração”, que é o culto pelo qual nos dirigimos somente à Deus.

Graças a Deus temos uma Mãe, que não é apenas uma boa mulher, mas a Mãe do próprio Deus encarnado, Mãe que nos ama e que intercede poderosamente junto à Deus por nós no céu.

Vamos refletir sobre alguns dos principais fatos da vida de Maria:



·       Anunciação (Lc 1,26-38)

- Toda preparação e espera do Antigo Testamento se realiza em Maria. Ela é escolhida para ser a Mãe do Salvador;
- Recebe o anúncio do Anjo em sua casa, em Nazaré. A figura do anjo significa a dimensão de fé – (cfr. Jz 6,11-24; Ex 3,1-3);
- “Não conheço nenhum homem”. Maria não era casada. Era virgem;
- “Conceberá pelo Espírito Santo”. Nessa união se realizam a aliança de Deus com a humanidade;
- Nova Eva. A primeira disse “Não”. Maria diz “Sim” ao Plano de Deus;
- “Faça-se em mim segundo a Vossa vontade”. Ela se coloca a disposição de Deus, e neste diálogo com o anjo vemos a intimidade de Maria com Deus;
- Maria é o primeiro modelo de fé da Igreja. Ter fé é receber tudo de Deus e dar-lhe o que Ele quer de nós;
- “Eis aqui a serva do Senhor”. Significa: aceitação, abertura e pobreza;
- Foi aí que Jesus se encarnou: “e o Verbo se fez Carne” (Jo 1,14);
- A cada dia Maria vai renovar o “sim” e reviver a presença de Deus dentro dela. (Cfr.Lc 1,28);
- Há mudança de planos, mas ela sabe que aquilo que Deus escolhe para nós nos santifica mais do que quando escolhemos o próprio caminho;
- Maternidade de Maria é um grande privilégio. Ela é a Mãe de Jesus não só porque o gerou, mas fez a sua vontade;
- A fé é a virtude que Maria praticou em mais alto grau, com abertura a Deus. Fé é isto:  aceitação – abertura à vontade de Deus – serviço e compromisso com os irmãos.





·       Visita a Izabel (Lc 1,39-45;56)

- Lição de serviço e compromisso. Maria vai ao encontro dos necessitados. Caridade não é só dar, mas principalmente, doar-se ao irmão;
- Serviço: Quanto mais recebemos, mais devemos doar-nos;
- Sua prima Santa Isabel, cheia do Espírito Santo, a saúda como “a Mãe do meu Senhor”, quando Maria foi visitá-la. “De onde me vem a honra de receber a visita da Mãe do meu Senhor?” (Lc 1,43). Santa Isabel foi a primeira a anunciar ao mundo quem era Maria: “a Mãe do meu Senhor”. Os judeus só usavam a expressão Senhor (=Adonai) para Yahweh(=Deus). Então, o que Isabel disse a Maria foi: És a Mãe de Deus.



·       Magnificat (Lc 1,46-55)

- Maria, cheia do Espírito de Deus, canta um canto de louvor: “o Magnificat”;
- Nesse canto, vemos que Maria conhece toda a História da Salvação;
- Maria está aberta para Deus e para os irmãos. Tem a fidelidade dos Profetas;
- Ela conhece a realidade, angústias e esperanças do seu povo;
- Embora tenha um coração voltado para Deus, ela tem os pés na realidade do povo;
- Maria viveu as Bem-aventuranças proclamadas por Jesus.



·       Nascimento de Jesus (Lc 2,1-21)

- É preciso ir a Belém por causa do recenseamento. Apesar das dificuldades, Maria confia, porque sabe que o mesmo Deus que escolhera para Mãe do Salvador, providenciará um lugar para seu filho nascer;
- Esse também é o caminho daqueles que se colocam, mais perto, à disposição de Deus;
- Anúncio da Boa Nova aos pastores. Sempre a revelação de Deus é feita aos pequeninos;
- Obscuridade da fé. Maria não compreendia, mas guardava essas coisas no seu coração.



·       Apresentação no Templo (Lc 2,22-40)

- Cumprimento da Lei – Obediência – Oferta dos pobres;
- Louvores de Ana e alegria de Simeão (profetas): “Agora Senhor, posso ir em paz porque meus olhos viram o Salvador”;
- Profecia de Simeão à Maria: “Uma espada de dor transpassará seu coração”. Mas Maria não se revolta porque sente a presença de Deus.



·       Jesus no Templo entre doutores (Lc 2,41-52)

- Festa da Páscoa. Jesus fica perdido em Jerusalém. Maria o encontra no templo, entre os doutores da lei, e todos o admiravam pelas palavras que proferia. A profecia, no que diz respeito a missão de Jesus, começa a se realizar;
- A responsabilidade de Maria é grande. Ela a carrega não como um fardo, mas como graça de Deus;
- Resposta de Jesus: “Cuidar das coisas do Pai”. Maria é Mãe que compreende o filho.
- Jesus ia crescendo em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Maria era sua Mãe e catequista.



·       Bodas de Caná (Jo 2,1-11)

- Primeiro milagre de Jesus. Mulher atenta, antecipa o milagre. Inicia-se aí, a vida pública de Jesus;
- Acreditou em Jesus antes do milagre e os discípulos demoraram para acreditar;
- Mulher pedagoga: “Fazei tudo o que Ele disser”;
- Ela pode pedir ao Cristo que transforme também a nossa água em vinho (as nossas dificuldades, as nossas dúvidas, etc.).




·       Maria no Calvário (Jo 19,25-27)

- Maria acompanhou todo sofrimento de Seu Filho, flagelação, zombarias, crucificação.
- Vendo o Apóstolo João, Jesus, sobre a Cruz, nos deixa sua Mãe. Maria recebe uma nova maternidade: ser Nossa Mãe, Nossa Senhora, a Mãe da Igreja. É o próprio São João quem relata isto.
- João aos pés da Cruz de Jesus, representava cada um de nós batizados.
- A exemplo de São João, devemos levá-la para nossa casa, isto é, para nossa vida;
- O último presente que Jesus nos deu antes de voltar para o Pai foi Sua Mãe. E, se Jesus o fez, é porque precisamos dela como Mãe espiritual para chegarmos até o céu.
- No silêncio, Maria foi a mulher que mais alto falou do amor de Deus;
- Fez a mais bela oração: de fé, oferecimento, aceitação e fidelidade;
- Mais uma vez, agora no Calvário, ela reafirma o “faça-se”, o sim a Deus;
- Em pé, aos pés da Cruz, perseverante e firme na fé, vivenciou a Morte de Seu filho Jesus, ápice da redenção da humanidade.



·       Pentecostes (At 1,14)

- Maria estava no nascimento da Igreja;
- Mulher de oração, também, em comunidade;
- Maria educou Cristo ao longo dos anos, acompanhou-o em sua vida pública, subiu com Ele ao Calvário, para ser mais tarde, a Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos.


Jesus veio por meio de Maria. Fez o seu primeiro milagre nas Bodas de Caná da Galiléia, por pedido dela, e, na cruz antes de morrer no-la deu como Mãe. Jesus nos deixou a Sua Mãe, que acompanha a cada um de nós, na luta desta vida, para ser o nosso auxílio. Jamais seremos órfãos de mãe, ainda que falte a nossa mãe terrena. A Igreja nos ensina a pedir as graças ao Filho através da Mãe.

Não tenhamos medo de ter devoção a Maria; quanto mais a amamos mais estaremos exaltando a Deus.





Obras de Misericórdia


Alguns conselhos para viver bem o Ano da Misericórdia


Deus manifesta seu carinho e cuidado pela criação e por Seus servos. Neste tempo, o Senhor nos enviou um servo muito querido e estimado até pelos não cristãos, Papa Francisco. Ele nos presenteia com seus discursos e reflexões, com uma vida cristã que transborda Jesus e Sua misericórdia.
Que ano é este?
O Papa, por inspiração divina, anunciou o Ano da Misericórdia. Mas que ano é esse? Como devemos vivê-lo? Dentre tantos passos apresentados por Francisco na bula Misericordie Vultus (O Rosto da Misericórdia), posso ousar em elencar dez conselhos.
Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai
1) Reconhecer a misericórdia do Pai em Jesus é o tema do Ano Santo: “Misericordiosos como o Pai”. Logo no início da bula, Francisco ensina: “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. Mas como imitá-Lo em Sua misericórdia? Por meio do Filho, Jesus, reconhecer a misericórdia do Pai. Com o olhar no Cristo, é possível verificar que Deus é Pai, misericórdia, amor e vida, Ele é Emanuel, o Santo. O primeiro conselho é reconhecer o Pai no Filho e seguir o que Ele ensinou e viveu.
A misericórdia do Senhor é para todos
2) Se é possível ver a misericórdia do Pai no Filho, se Ele é Santo, o segundo conselho é reconhecer-se pecador. No entanto, a misericórdia do Senhor é para todos, não podemos temê-Lo, mas confiar que Ele não se cansa de perdoar. “Nós é que nos cansamos de pedir perdão”, já frisou o Papa em seus ensinamentos. Reconhecer-se pecador é o mesmo que dizer “sou alvo da misericórdia do Pai”.
Tempo de busca pelo sacramento da reconciliação
3) Ir em busca do perdão. O Papa ressalta que é tempo de misericórdia; então, é tempo de buscar o sacramento da reconciliação, fazer um bom exame de consciência, estar arrependido, ter a firme resolução de não pecar mais, confessar e viver uma vida nova em Cristo. Francisco chamou à atenção os confessores e sacerdotes, para que tenham um especial cuidado de acolher, orientar e perdoar os penitentes..
A misericórdia não é algo abstrato
5) A misericórdia não é algo abstrato, mas muito concreto como o amor de mãe, ou seja, provém do íntimo de Deus, ensina o Papa. A mãe ama com carinho, afeto e, ao mesmo tempo, com firmeza e verdade; assim, Deus nos ama e nos convida a fazer o mesmo.
Diante da misericórdia que se recebe, como concretamente traduzi-la?
As obras de misericórdia
6) Concretamente, o Papa recorda algo que a Igreja ensina e vive há muito tempo: as obras de misericórdia, que podem ser espirituais e corporais. As obras de misericórdia espirituais são: instruir, aconselhar, corrigir, perdoar e ter paciência. Já as obras de misericórdia corporais são: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir o nu, dar abrigo a quem não tem, visitar os doentes e presos, sepultar os mortos, praticar a justiça e dar esmola.
Porta-voz da misericórdia do Pai
7) Anunciadores da misericórdia, a Igreja deve ser porta-voz da misericórdia do Pai. Francisco recordou São João Paulo II, quando este, na sua encíclica Dives in Misericordia, falou sobre o esquecimento dessa palavra e atitude: agir com misericórdia. Neste mundo, a Igreja tem a missão de chegar ao coração e à mente de cada pessoa com a misericórdia divina. A Igreja, claro que não apenas as pessoas que fazem parte do clero ou fizeram algum tipo de voto, mas todos os batizados e ungidos pelo Senhor são instrumentos, são os braços, os pés, as mãos do Senhor. O clero e os leigos, juntos, revelam o Rosto da Misericórdia.
Por fim, acredito que poderíamos elencar outros conselhos e passos a serem dados, pois estes nos ajudam a tomar posse desse Deus Pai Misericordioso, que enviou Seu Filho e, assim, revela-nos seu Rosto de Misericórdia. O Senhor, Pai da Providência, concede-nos, neste tempo, a graça por meio da Igreja, de seu servo o Papa Francisco, que conta com tantos outros servos que, banhados pela misericórdia, só podem responder com misericórdia. Que a nossa resposta hoje e sempre seja de misericórdia com palavras e gestos concretos.

Catequese sobre o “Rosto da Misericórdia”


Catequese sobre o “Rosto da Misericórdia”                   
1.ª Parte: Conceito de Misericórdia
a) A Misericórdia é um Rosto: Jesus
 a misericórdia não é uma palavra abstrata mas um rosto. A misericórdia de que falamos tornou-se viva, visível e atingiu o seu climax em Jesus de Nazaré”. 

 contemplemos o mistério da misericórdia porque ela, diz: “é fonte de alegria, serenidade e paz… Revela o mistério da Santíssima Trindade… É o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro… É a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida… É o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”.

Tudo fala de Misericórdia em Jesus…
“Deus é amor” (I Jo 4,8.16)… Este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente. O Seu relacionamento com as pessoas, que se abeiram dele, manifesta algo de único e irrepetível. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo nele fala de misericórdia. Nele, nada há que seja desprovido de compaixão (8)
(Portanto: não se consegue entender Jesus sem o conceito da misericórdia)
O Papa ilustra esta afirmação com narrações do evangelho:
… Vendo que a multidão de pessoas que o seguia estava cansada e abatida, Jesus sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por elas… Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia. Quando encontrou a viúva de Naim que levava o seu único filho a sepultar, sentiu grande compaixão pela dor imensa daquela mãe em lágrimas… A própria vocação de Mateus se insere no horizonte da misericórdia. Ao passar diante do posto de cobrança dos impostos, os olhos de Jesus fixaram-se nos de Mateus. Era um olhar cheio de misericórdia que perdoava os pecados daquele homem e vencendo as resistências dos outros discípulos, escolheu-o, a ele pecador e publicano, para se tornar um dos Doze.
A Misericórdia é critério de identificação dos filhos de Deus
A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se critério para identificar quem são os seus verdadeiros filhos… O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para os cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Como parece difícil, tantas vezes perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois a exortação do Apóstolo: Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento.(9)
A misericórdia é critério de credibilidade para a nossa fé
O Papa propõe que se escute “a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: “felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. (9)
Deus não se limita a afirmar o seu amor para connosco (só palavras…), mas torna-o visível e palpável. O Seu amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer-nos felizes, cheios de alegria e serenos… Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros” (9) (ou seja: se a misericórdia é responsabilidade de Deus para connosco a misericórdia é responsabilidade nossa para com os outros, se quisermos que a nossa fé seja credível)

 É triste ver como a experiência do perdão vai rareando cada vez mais na nossa cultura… Todavia sem o testemunho do perdão, resta apenas uma vida infecunda e estéril, como se se vivesse num deserto desolador… É o tempo de regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos nossos irmãos. O perdão é uma força que ressuscita para a nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança” (10)
O papa evoca depois a 2.ª encíclica do papa João Paulo II, “Dives in misericordia”, e diz que ela já foi resultado do “esquecimento em que caíra o tema da misericórdia, na cultura dos nossos dias” (11) e cita-a: A Igreja vive uma vida autêntica quando professa e proclama a misericórdia” (11). (Já o Papa João Paulo II o dizia, portanto).
A misericórdia é determinante para a credibilidade do anúncio do Evangelho
A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa… É determinante para a Igreja, e para a credibilidade do seu anúncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafia-las a encontrar novamente o caminho para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. (12)
Faz um apelo:
“Onde a Igreja estiver presente, aí deve estar evidente a misericórdia do Pai”. Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos – qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia” (12)


Cumprir as obras de misericórdia corporais e espirituais (15)
Para “acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são privilegiados da misericórdia divina”
Há que redescobrir as obras de misericórdia corporais e espirituais, apela o Papa.

b) Relação entre justiça e misericórdia (20 e 21)
Para o papa  “a Justiça de Deus é o Seu perdão” e “o primado da misericórdia é a dimensão fundamental da missão de Jesus, porque não é a observância da lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo
“A misericórdia não é contrária à justiça, mas exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe a nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar” (21)
O papa chega a dizer que “Se Deus se detivesse na justiça, deixaria de ser Deus; seria como todos os homens que clamam pelo respeito da lei. A justiça por si só não é suficiente… Por isso Deus, com a misericórdia e o perdão, vai além da justiça. Isto não significa desvalorizar a justiça ou torna-la supérflua… Deus não rejeita a justiça. Ele engloba-a e supera-a num evento superior onde se experimenta o amor, que está na base duma verdadeira justiça” (21)

Conclusão
O Papa invoca Nossa Senhora…
a Quem designa de “a Mãe da Misericórdia”. “A doçura do Seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos redescobrir a alegria da ternura de Deus” Diz que “ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem.

Na solenidade de Cristo Rei, que será a 20 de novembro de 2016, o ano jubilar irá terminar… Mas a Igreja continuará a proclamar com confiança e sem cessar: “ Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre” (Sl 25, 6)… E para sempre.


Atitudes que ajudam a rezar



“A Igreja não pode dispensar o pulmão da oração” (EG 262), nos disse o Papa Francisco. Ela é o meio privilegiado do encontro cotidiano com Deus, conosco mesmos e com a comunidade de fé. No entanto, é preciso dispor-se, através de algumas atitudes.

A primeira atitude que facilita a oração é o recolhimento. Recolher a vida com toda a sua complexidade, recolhê-la, em especial diante de Deus. Estar presente e atento a tudo o que estou vivendo. A dificuldade é a distração. Se viver distraído e ausente a maior parte do dia, se não tenho consciência de mim mesmo habitualmente em cada atividade, se não me centro no que estou fazendo no decorrer do dia, o normal é que tampouco o faça no momento de oração. Oramos como vivemos e vivemos como oramos. Tomar consciência do corpo, dos sentimentos e da mente, com todos os pensamentos, reflexões, recordações e fantasias que aparecem e desaparecem. Exercitar a atenção central: a capacidade de ver e perceber tudo com uma luz interior. Invocar o Espírito Santo, que conduz o encontro com Deus. Quanto mais eu exercitar o recolhimento, tanto mais centrado estarei em cada momento. 

A segunda atitude é exercitar o silêncio exterior e interior. Há ruídos exteriores e interiores.
Não nos concentramos quando estamos em um ambiente ruidoso. O mesmo acontece quando temos um barulho dentro de nós mesmos: nervosismo, tensão, preocupações, angústia, agressividade, estresse... Este ruído emocional nos bloqueia e nos incapacita para estar, para estar simplesmente em atenção amorosa a Deus. É preciso criar espaços e tempos de silêncio: criar um clima silencioso, sereno, pacificador. Uma pessoa barulhenta o será em tudo: na vida e na oração. E uma pessoa silenciosa o será em tudo: na oração e na vida. O silêncio interior é absolutamente imprescindível para viver uma experiência de oração. Um silêncio interior que nos abra ao diálogo com Deus. Assim se expressava Henri Nouwen: “Senhor Jesus! As palavras que dirigiste a teu Pai brotaram do teu silêncio. Introduze-me neste silêncio, para que assim fale em teu nome e minhas palavras deem fruto. É tão difícil permanecer em silêncio, silêncio de palavras, mas também silêncio do coração... Há tantas coisas que falam dentro de mim... Sempre pareço estar enredado em debates interiores comigo mesmo, com meus amigos, com meus inimigos, com meus defensores, com meus adversários, com meus colegas e com meus rivais. Porém, este debate interior põe às claras quanto longe está de ti meu coração.” (Escritos Essenciales, Santander: Editorial Sal Terrae, 1999, p.95). Normalmente, a vida de uma pessoa ruidosa é superficial. A vida de uma pessoa silenciosa tende a ser mais profunda, integrada, positiva, unificada, repleta de harmonia, de paz e de plenitude. 

A terceira atitude é a abertura para escutar e dialogar. A oração é sempre um diálogo, um encontro. Não é um monólogo, nem uma mera introspecção. É um encontro, uma saída de si, para dar espaço para acolher a Deus, que continuamente sai de si para nos encontrar, para nos falar. A abertura é fruto da consciência de si e do silêncio. Uma pessoa encerrada em seu próprio cárcere de tensões e angústias é incapaz de ver e perceber, de escutar e acolher o outro tal como é. Atitude de escuta que espera o Senhor. “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,10), disse Samuel. Escutar é uma atitude radical e essencial do homem que deseja viver aberto e acolhedor dos outros e a Deus. Escutar na oração, escutar a Deus, é, portanto, uma atitude permanente, que devo manter sempre, tal como são permanentes a comunicação e a manifestação de Deus. 

A quarta atitude é a entrega de si. É uma entrega mútua em liberdade, em que eu acolho o dom infinito de sua presença e de seu amor e respondo livremente, em plena disponibilidade de amor obediente. Deus não dá coisas, ele se dá a si mesmo numa entrega total, infinita e eterna porque nos ama. Diante de Deus, portanto, só tem sentido a entrega e disponibilidade, o abandono confiante. “Faça-se em mim, segundo a tua Palavra.” (Lc 1, 38). Então, nessa experiência de amor, entrega-se, como barro modelável nas mãos de Deus. 

Dom Adelar Baruffi - Bispo de Cruz Alta